Gago, Rui Vaz

 [N. Beja, ? – m. Vila Franca do Campo, 1493] Também dito do Trato, era filho de Lourenço Anes Gago. Rui Vaz Gago era escudeiro da casa ducal de Viseu-Beja e, no seu testamento, apresentou-se como sendo criado do senhor Infante D. Fernando (BPARPD, Governo Civil, Registo Vincular, 552 [Livro 48], fl. 136). Segundo Gaspar Frutuoso, chegou a São Miguel no tempo do capitão Rui Gonçalves da Câmara. Tendo-se instalado num primeiro momento em Vila Franca do Campo, mudou-se depois para o lugar dos Fenais. A designação «do Trato» ficou a dever-se ao facto de ser «homem rico e poderoso, e tratar com el-Rei na Mina, Cabo Verde, e outras partes, onde mandava seus navios» (Frutuoso, 1977: 132). Com base na fortuna granjeada, ao chegar a São Miguel adquiriu diversas terras, além das dadas que o capitão lhe concedeu, construindo um património que terá atingido os 1.300 moios de renda, o que colocou a sua casa entre as mais importantes da ilha e o posicionou como «o mais rico homem dela» (ibidem). Rui Vaz Gago foi casado com Catarina Gomes Raposo, descendendo deste enlace algumas destacadas figuras das governanças micaelenses dos séculos XVI-XVIII. Apesar do vasto património fundiário que detinha, no seu testamento, feito em Vila Franca do Campo, a 18 de Outubro de 1493, Rui Vaz Gago referiu apenas, além de algum gado e de escravos, 4 moios de terra, situados no morro da Ribeira Grande, medidos pela vara de 12 palmos, cujo valor, em 1567, era de 2.000.000 réis, a 500.000 réis o moio (BPARPD, CEC, Mss, 150, Tombo de Testamentos [1567], fls. 84-93; Gil, 1979: 75-76). Este testamento constitui a escritura fundacional do mais antigo vínculo registado em São Miguel (BPARPD, CEC, Mss, 26, fls. 11-47 B v; Governo Civil, Registo Vincular, 552 [Livro 48]). Rui Vaz Gago nomeou a mulher como testamenteira, vinculou a sua terça para o filho primogénito e instituiu uma capela dedicada a São Vicente. Todavia, face ao óbito do varão, sem descendência, sucederia no vínculo a irmã, Beatriz Rodrigues Raposo. José Damião Rodrigues

Bibl. Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada (BPARPD), Colecção Ernesto do Canto (CEC), Manuscritos (Mss), 26, 133-A e 150, Tombo de Testamentos (1567). BPARPD, Governo Civil, Registo Vincular, 552 [Livro 48]. Chagas, D. (1989), Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores. Direcção e prefácio de Artur Teodoro de Matos, colaboração de Avelino de Freitas de Meneses e Vítor Luís Gaspar Rodrigues, Angra do Heroísmo-Ponta Delgada, Secretaria Regional da Educação e Cultura/Direcção Regional dos Assuntos Culturais-Universidade dos Açores/Centro de Estudos Doutor Gaspar Frutuoso. Frutuoso, G. (1977), Livro Quarto das Saudades da Terra. 2.a ed., Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada, I. Gil, M. O. R. (1979), O Arquipélago dos Açores no Século XVII. Aspectos sócio-económicos (1575-1675). Castelo Branco, ed. da autora. Rodrigues, J. D. (2000), São Miguel no século XVIII: casa, família e mecanismos de poder. Dissertação de doutoramento em História, Ponta Delgada, Universidade dos Açores, 3 vols. (policopiado).