futebol nos Açores
O futebol, na sua versão moderna, estruturou-se na Inglaterra, onde foram adoptados os princípios das leis actuais, em 1863. Foi através dos ingleses e de estudantes portugueses naquele país que o futebol chegou a Portugal. A primeira bola terá entrado no continente por volta de 1866 e o primeiro jogo público foi realizado em 1888, quando na Madeira já havia notícias da sua prática, em 1875. Mas foi só no início do século XX que se organizaram os grandes clubes portugueses e se criou a Associação de Futebol de Lisboa, transformada depois em Associação Portuguesa de Futebol.
Nos Açores a situação foi também semelhante à do resto do país. Até à I Guerra Mundial, a prática do futebol desenrolou-se de forma desorganizada e com vários períodos de interrupção. Os grupos faziam-se e desfaziam-se com relativa facilidade e não existiam organismos que coordenassem a actividade. O pontapé de saída para o transformar num acontecimento regional deu-se em 1912. O desenrolar do movimento conhecido por «confraternização açoriana» (ver açorianismo), com o objectivo de construir uma unidade açoriana, arrastou consigo excursões entre as ilhas, que se faziam acompanhar por equipas de futebol, *filarmónicas ou grupos de teatro. Nesse ano deu-se o primeiro encontro inter-ilhas, a que se seguiram outros nas décadas seguintes. Dentro deste espírito realizou-se o primeiro campeonato inter-liceal, em 1925, em Ponta Delgada.
Foi no início da década de 20 que se criou em Ponta Delgada o Instituto de Educação Física (IEF), com o objectivo de coordenar as actividades desportivas (1921), dando origem dois anos depois à Associação de Futebol de São Miguel, com estatutos aprovados em 4 de Novembro de 1924. Em 1941, passou a designar-se Associação de Futebol de Ponta Delgada, para abarcar o distrito. Foi também em 1921 que se criou em Angra a Liga de Educação Física, com os mesmos objectivos, tendo passado a Associação em 1931. Na Horta, foi fundada a Liga de Futebol em 1924, dando origem à Associação, em 1930, que até esta data esteve afastada das provas oficiais de âmbito regional. Foi com a fundação destes organismos coordenadores que se realizaram os campeonatos por ilhas, tendo o primeiro campeonato regional (São Miguel-Terceira), ocorrido em 1925, sido ganho pelo Lusitânia. Só depois dos anos 30 os Açores começam a entrar nas competições para a Taça de Portugal, com regularidade a partir da II Guerra Mundial. Mais recentemente, a partir de 1978-79 ocorreu uma nova etapa com a participação nas Séries da III Liga que permitiu a alguns clubes terem acesso à II e à I Divisão, como foi o caso do Santa Clara.
Durante muito tempo, o futebol foi um acontecimento essencialmente citadino. Só nos anos 20 se popularizou nas vilas e em algumas freguesias rurais. A partir dos anos 60, por intermédio da Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho, transformou-se no desporto mais praticado nas freguesias rurais. O entusiasmo cresceu a partir do «25 de Abril», com os torneios do INATEL. Foi também depois do «25 de Abril» que as infra-estruturas desportivas melhoraram e se expandiram por todas as ilhas com apoios do Governo Regional e das Câmaras Municipais. Assim, se construíram complexos desportivos, se melhoraram balneários, sedes dos clubes e, mais recentemente, se instalaram campos com relvado sintético, inclusive em freguesias rurais. Todavia, apesar de todas estas melhorias, o entusiasmo pelo futebol tem vindo a declinar. As numerosas solicitações alteraram o quotidiano dos insulares, como aconteceu no resto do país, e os encontros de futebol deixaram de ter a influência verificada até aos anos 70, com gente de ambos os sexos e das mais variadas idades. De qualquer forma o futebol continua a ser um factor de unidade insular, apesar da rivalidade existente nestes confrontos, permitindo a deslocação de equipas entre ilhas nas diversas provas oficiais e um conhecimento mais profundo entre as comunidades. Mas todas estas deslocações, as exigências financeiras para a participação nos escalões do futebol nacional e a profissionalização de jogadores, acarretaram despesas suplementares que não são cobertas pelas receitas. Por esse facto, vários clubes têm estado a braços com problemas de «Caixa» e não têm recorrido a outros meios de angariação de fundos, como acontecia em épocas anteriores. Na década de 20 e seguintes, por exemplo, muitos deles promoviam quermesses, bailes, touradas e outros divertimentos para conseguirem equilibrar as receitas.
Breve síntese panorâmica da evolução do futebol por ilhas, referindo os principais clubes:
Em São Miguel, as notícias apontam para a chegada da primeira bola em 1895. Este desporto terá sido introduzido por alunos do Colégio Fisher, orientados pelo padre James Darymple, professor naquele colégio. Entre esses jovens contava-se o futuro marquês de Jácome Correia, Rolando Viveiros, Weber Tavares, Edgardo Garcia e Alfredo Pinto. Os primeiros encontros em 1899 eram já notícia na imprensa. Até aos anos 20, as equipas que se formaram tiveram curta duração. O próprio Clube União Micaelense, surgido no seio da Associação União Micaelense, fundada em 1911, com carácter mais cultural do que desportivo, só se consolidou naquela década. Para além deste, outros grupos participavam com frequência em vários jogos: o Sport Club Terror, que durou até 1935, o Benfica Açoreano Sport Club, o Operário Micaelense Foot-Ball Club, o Intangível Futebol Club (1917), o Grupo da Escola de Pilotagem Cortes Reais, o Marítimo Sport Club, o Club União Sportiva (1921), continuador da equipa da Associação dos Empregados do Comércio, ou o Micaelense Futebol Club (1924). O bairro operário de Santa Clara foi desde sempre um local privilegiado para a prática do futebol. Daí a formação de várias grupos que se foram sucedendo com a denominação de Santa Clara. Dos que tiveram maior projecção registe-se o Santa Clara Foot-Ball Club, em 1921, que se apresentou ao público em 1922, com a designação de novo. A este viria a suceder mais tarde o Club Desportivo Santa Clara, em 1927, que se apresenta como continuador do anterior. A nível infantil, existem referências para o Não Te Consumas Sport Club, da Fajã de Baixo, o Vingadores Sport Club, o Luzitano Sport Club e outras equipas ligadas ao Micaelense e ao Santa Clara. Nos primeiros tempos os jogos com os ingleses realizavam-se em São Gonçalo, passando para a «Mata da Doca», denominada Campo Açores, e no campo do Liceu, que funcionou até 1943. Em 1946, inaugurou-se o Campo Marquês de Jácome Correia (Relvão), em 1951, o Estádio Margarida Cabral e, em 1976, o Estádio de Ponta Delgada.
A partir da cidade, o futebol expandiu-se para as vilas. Na Ribeira Grande, terá começado em 1912, por iniciativa de um padre do seminário de Angra, com o grupo «Os Gasparinhos», por alusão a Gaspar Fructuoso; em 1920, um grupo de estudantes formou O Açor, a que se seguiram o Ribeira Grande, o Praia, o Águia Futebol Club e o Ideal Sport. Todo este incremento desportivo levou à criação da Liga Desportiva da Ribeira Grande, existente em 1933. Com a inauguração do campo municipal, na década de 50, fundou-se também o Clube Futebol da Ribeira Grande. Na vila da Lagoa, fundou-se em 1947 o Clube Operário Desportivo da Lagoa, uma equipa que ombreou com as mais conhecidas da cidade de Ponta Delgada.
Em 2004, estavam inscritos na Associação de Ponta Delgada os seguintes clubes: Águia Clube Desportivo (1965), Arrifes; Clube Desportivo «Os Oliveirenses» (1964), Fajã de Cima; Clube Desportivo de Rabo de Peixe; Clube Desportivo Santo António, Capelas; Clube Desportivo Santa Clara (1927), Clube União Micaelense (1911), Marítimo Sport Clube, todos em Ponta Delgada; Clube Desportivo de Vila Franca (1960) e Clube Futebol Vasco da Gama, em Vila Franca do Campo; Clube Operário Desportivo (1947), Lagoa; Capelense Sport Clube; Clube Desportivo Santo António Nordestinho, Nordeste; Futebol Clube Vale Formoso, Furnas; Clube Desportivo Bota Fogo, Ponta Garça; Fazenda Sport Clube, Nordeste; Grupo Desportivo de São Roque (1960); Maia Clube dos Açores; Mira Mar Sport Clube, Povoação; Sporting Clube Ideal, Ribeira Grande; Santiago Futebol Clube, Água de Pau; União Desportiva de Nordeste; Vitória Clube Pico da Pedra e Atlético Clube da Bretanha, Capelas.
Na Terceira o futebol foi também introduzido por um grupo de estudantes na Grã-Bretanha: Tomé de Castro, Eduardo Abreu e José Narciso Parreira Coelho. Passada a primeira fase do entusiasmo nos finais do século XIX, ou porque a bola se terá rasgado, a imprensa deixou de falar em futebol durante alguns anos. Só a partir de 1909, se notou uma nova dinâmica, em que foram aparecendo, entre outros, os seguintes grupos: o Grupo Foot-Ball Angrense, o Republicano Sport Club, o Angra Sport Club, o Recreio Foot-Ball Club, a primeira equipa a utilizar redes na baliza (1913), a Associação dos Empregados do Comércio e vários grupos de alunos do liceu. Até à I Guerra Mundial, os jogos realizavam-se no Relvão, que entretanto fora ocupado por militares que deixaram o terreno impraticável. A partir dos anos 20, deu-se uma grande reestruturação com a fusão de pequenos grupos, constituindo-se equipas que perduraram até ao presente. Assim, em 1922, fundou-se o Sport Clube Lusitânia, cujo nome é uma homenagem a Gago Coutinho e Sacadura Cabral, da junção do Angra Sport Club e do Recreio dos Artistas Sport Club. Em 1929, surgiu o Sport Club Angrense, numa fusão do Clube Desportivo Angrense com o Sporting Club da Terceira. A outra grande equipa da cidade só foi fundada oficialmente em 1938, o Sport Club Marítimo. Em 1924, foi inaugurado oficialmente o campo de jogos da cidade, melhorado em 1943. Outro campo utilizado, até aos anos 30, ficava situado no antigo convento da Graça. Em 1992, foi inaugurado o campo João Paulo II. Na Praia da Vitória, nos anos 20, existiram o Clube Praiense, o Santa Cruz Foot-Ball Club e o Foot-Ball 11 de Agosto. Só depois da instalação da Base Aérea Portuguesa, nas Lajes, o futebol voltou a ter algum fulgor, beneficiando da presença de muitos militares do continente. Em 1947, fundou-se o Sport Clube Praiense, e o União Desportiva Praiense, no ano seguinte. Nas freguesias rurais, o fenómeno é mais recente. Nos anos 20, há notícias de alguns encontros na Serreta, nas Lajes e na Vila Nova. Mas só em 1953, o Sport Clube Vilanovense voltou a renascer, sendo a primeira equipa de uma freguesia rural a entrar nas competições oficiais da Associação de Angra. Em 1958, surgiram duas novas equipas nas Lajes: Unidos, já desaparecido, e o Juventude Desportiva Lajense, renascido recentemente. Estas foram as principais equipas federadas a disputarem provas da Associação, em primeiras e segundas categorias, embora se praticasse de forma oficial noutras freguesias. O futebol juvenil também se desenvolveu na Terceira, mas com muita irregularidade. Em 1912, havia infantis no Angra Sport Club, Club Foot-Ball Angrense, mas só passaram a realizar-se jogos oficiais a partir dos anos 60, com a participação de quase todos os clubes federados. O futebol feminino, só surgiu nos anos 90, existindo apenas três equipas.
Não obstante alguns deles com prática desportiva anterior à sua filiação, em 2003 estavam filiados na Associação de Angra os seguintes clubes: Sport Club Lusitânia (1922), Sport Club Angrense (1929), Sport Club Marítimo (1938), Carioca Futebol Club (1950) e Académico de Santa Luzia (1977), todos em Angra; Sport Club Praiense (1947) e União Desportiva Praiense (1948), na Praia; Sporting Club «Os Leões» (1952) e Sport Club Barreiro (1968), Porto Judeu; Sport Club Vilanovense (1953); Juventude Desportiva Lajense (1958), União Sebastinanense Futebol Club (1964), Sport Club Barbarense (1973), Grupo Desportivo Casa do Povo das Fontinhas (1975), Grupo Desportivo e Recreativo da Agualva (1975), Marítimos São Mateus Sport Club (1983), Grupo Desportivo dos Biscoitos (1986), Clube Desportivo de Belém, Terra-Chã (1986), Boavista Club da Ribeirinha (1987), Grupo Desportivo da Casa do Povo do Porto Martins (1999).
No Faial, a imprensa regista a chegada de James Darymple e José Moraes Pereira vindos de Ponta Delgada, em 1900 (O Fayalense, 19 de Agosto de 1900). Como haviam estado ligados ao futebol naquela cidade, são apontados por alguns como os introdutores desta modalidade na Horta. Por outro lado, existem também referências de que a primeira bola terá chegado à ilha por intermédio de João Silveira Menezes, por volta de 1901. Duma ou doutra forma, ter-se-iam, assim, realizado os primeiros encontros com os ingleses que trabalhavam no cabo submarino. Uns anos depois, terá sido adquirida outra bola pelo estudante Alberto Campos de Medeiros, por volta de 1908. No ano seguinte, fundou-se o decano dos clubes desportivos açorianos, o Fayal Sport Club. O Sporting Club da Horta e o Angústias Atlético Club surgiram em 1923. Entretanto outros clubes foram formados, mas de vida efémera. Entre eles o Sport Club Hortense (1920/21), Eastern Sports Club (antes de 1924), o British Foot-bal Club (cerca de 1924), o British Sports Club (cerca de 1926), o *Desportivo dos Flamengos (em 1943-44), o Sport Club do Farrobim (1950) e outros formados, principalmente, por funcionários portugueses e estrangeiros, estacionados na Horta, como funcionários das companhias de cabo submarinos. O Casa Pia, foi a primeira equipa do continente a deslocar-se aos Açores (1923), para jogar com o Fayal, cujo estádio foi inaugurado em 1954, a que se seguiu um complexo desportivo, em 1995.
Em 2003, estavam filiados os seguintes clubes: Fayal Sport Club (1909), Angústias Atlético Clube (1923) e Sporting Clube da Horta (1923), todos na Horta; Clube Recreio e Fraternidade (1917), Castelo Branco; Futebol Clube dos Flamengos (1975); Grupo Desportivo do Salão (1981); Grupo Desportivo Cedrense (1981); Grupo Desportivo da Feteira (1990); União Vulcânico Futebol Clube (1990), Capelo.
Nas ilhas mais pequenas, embora se tenha iniciado nos anos 20, o futebol teve uma prática muito irregular. Em São Jorge, o Lusitânia Club Recreio Velense já existia em 1923, mas pelas notícias da imprensa, até aos anos 30, o entusiasmo era muito reduzido. As equipas que se formaram acabaram por se extinguir logo de seguida. Estão filiados na Associação de Angra: Grupo Desportivo Velense (1966), Futebol Clube da Calheta (1979), Futebol Clube Urzelinense (1966), Grupo Desportivo do Topo (1991), Futebol Clube Marítimo Velense (1964, embora existisse na década de 50, filiado no Belenenses), Grupo Desportivo da Beira (1995, com existência efémera em 1950). No Pico, a situação é idêntica. Nos anos 20, existiam: Sport Club Lajense, Sport Pico Club, União Sport Club (Madalena) e Club Desportivo Lajense. Em 1923, foi inaugurado o campo do Pico Sport Club, em que jogaram o Faial Sport Club, o Easter Sport e o Pico Sport Club. Em 2003, estavam inscritos na Associação de Futebol da Horta: Clube Boavista São Mateus (1982), Clube Desportivo Lajense (1924), Futebol Clube Madalena (1974), Prainha Futebol Clube, Prainha do Norte (1988), União Desportiva Calhetense, Calheta do Nesquim (1962), Vitória Futebol Clube, Santo António (1981) e o Grupo Desportivo Piedade. Na Graciosa, também no início da década de 20 existiam o Praiense Foot-Ball Club e o Santa Cruz Sport Club com actividade muito esporádica. Estão filiados na Associação de Angra: Graciosa Futebol Club (1939) e Sport Club Marítimo (1957), em Santa Cruz; Sporting Clube Guadalupe (1954), Grupo Desportivo Mocidade Praiense (1941), Grupo Desportivo Luzense (1992). Em Santa Maria, a modalidade teve desde sempre uma fraca adesão. Em 1929, foram fundados o Sport Club Mariense e o Sporting Club «Frei Gonçalo Velho», mantendo este último a prática desportiva com alguma regularidade. No presente não existem equipas federadas, mas as colectividades Gonçalo Velho Cabral, Clube ANA, Clube Asas do Atlântico e o Clube Desportivo «Os Marienses» continuam a praticá-lo. Nas Flores, o futebol terá ganho alguma consistência nos anos 30, com três campos inaugurados em 1939, pertencentes às equipas do Futebol de Santa Cruz, Futebol da Fajã Grande e Futebol da Lomba. O campo do Clube Desportivo Lajense só foi inaugurado em 1945. Estavam inscritos em 2003 na associação da Horta: Atlético Clube Fajã Grande (1983), Boavista Sport Clube, Santa Cruz (1966), Futebol Clube Ponta Delgada (1967), Grupo Desportivo «Os Minhocas», Santa Cruz (1979) e Sport Marítimo Lajense (1991). No Corvo, o futebol tem sido apenas praticado de forma esporádica e não organizada. CARLOS ENES
Bibl. Bettencourt, J. e Amaral, A. (cord.) (1988), Fayal Sport Club (1909-1984), 75 anos Álbum comemorativo. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura/Direcção Regional de Educação Física e Desportos. Trigueiro, J. (1999), Futebol na ilha das Flores, Subsídios para a sua história (1939-79). 2.a edição, Lajes das Flores, Edição Câmara Municipal de Lajes das Flores. Brum, J. B. (1988), Fayal Sport Club, Subsídios para a sua história. Horta, Grupo de Amigos do Fayal Sport Club/Direcção Regional dos Assuntos Culturais/Câmara Municipal da Horta. Lobão, C. (1989), Futebol Clube dos Flamengos, Subsídios para a sua história. Horta, Centro de Estudos e Cultura da Câmara Municipal da Horta. Id. (1991), Angústias Atlético Clube, Subsídios para a sua história. Horta, Angústias Atlético Clube. Id. (1994), Sporting Clube da Horta, Subsídios para a sua história. Horta, Sporting Clube da Horta.
