Furtado, Francisco (S. J.)

[N. Faial, cerca de 1588 – m. Macau, 21.11.1653] Missionário no Oriente. Francisco Furtado Mendonça, segundo Lima (1922: 343), era filho de Gaspar de Lemos e de Maria de Aboim da Silveira, segundo Lima (1922: 332) e Dias (2005: 382). Entrou no noviciado em 1608 e ingressou na Companhia de Jesus, no Colégio de Coimbra, em 1610. Seguiu os cursos de Filosofia e de Teologia na Companhia. Depois de ordenado padre, partiu para o Oriente, em 1618, com o padre Nicolas Trigault, que voltava à China, chegando a Macau no ano seguinte.

Depois de aprender a língua em Kia-ting, acompanhou o Doutor Leung a Hang-tcheou, onde parece ter vivido até à morte deste, em 1630, ocupando-se dos cristãos, da conversão dos gentios e escrevendo, com o seu amigo mandarim, obras de filosofia. Naquele ano passou de Hang-tcheou a Chen-Si e, em 1634, estabeleceu uma residência e construiu uma igreja em Si-ngan Fon.

Sucedendo a Manuel Dias Júnior, entre 1635 e 1641, foi vice-provincial da Companhia na China, cargo que é referido pelos seus biógrafos ter desempenhado com prudência, zelo e caridade incomparáveis. Nessa circunstância visitou todas as residências da missão.

Entre 1641 e 1650, devido às dificuldades de comunicar decorrentes da guerra com os tártaros e à pirataria, a vice-província da China foi dividida em duas partes. O padre Furtado  desempenhou as funções de superior das seis residências situadas na parte norte.

Em 1650, foi nomeado visitador da província do Japão e da vice-província da China. Regressou a Macau e daqui partiu para visitar todo o Koang-tong. Desempenhou o cargo em circunstâncias difíceis até à sua morte.

Entre os seus escritos contam-se as traduções para chinês dos livros de Aristóteles De Cœlo et Mundo e de parte do Curso Conimbricense (Lógica e Metafísica), obras editadas a expensas do mandarim Dr. Leung que reviu ambas e prefaciou a primeira. Luís M. Arruda

Obras. (1628), Hoan yeou ts‘iuen. Hang-tcheau [6 volumes; versão em língua chinesa da obra de Aristóteles De Cœlo et Mundo, com prefácio do Dr. Leung]. (1631), Ming-Lit‘an. Hang-tcheau (10 volumes; versão em língua chinesa do Tratado de Lógica e Metafísica da Universidade de Coimbra). (1639), Relatio de statu Sinensis Missionis scripta ad Summum Pontificem. (1706), Informatio antiquissima de praxi Missionariorum S. J. circa ritus sinenses, data in Sinis jam ab annis 1636 et 1640 a R. P. Furtado, viceprovinciali. Paris, Pépic. (1634), Lettre ao pe. Vitelleschi, sobre o estado geral da missão e sobre as virtudes dos padres Vagnoni e Longobardi. (s.d.), T‘ien-tchou kiao yao [Doutrina da Igreja Católica, 1 volume composto durante o seu vice-provincialato, sem nome de autor].

 

Bibl. Araújo, H. P. (2000), Os Jesuítas no Império da China: O Primeiro Século (1582-1680). s.l. [Lisboa], Instituto Português do Oriente: 161-417. Dias, U. M. (2005), Literatos dos Açores. 2.ª ed., s. l., Editorial Ilha Nova. Ferreira, E. (1940), Estudos filosóficos nos Açores. Esboço histórico. Lisboa, Sep. de Petrus Nonius, 2, 4. Lima, M. (1922), Familias Faialenses. Horta, Tip. «Minerva Insulana». Pfister, L. (1932), Notices Biographiques et Bibliographiques sur les Jésuites de l'Ancienne Mission de Chine. Chang-Hai, Imprimerie de La Mission Catholique: 218-220.