Furna do Enxofre
Gruta vulcânica situada no fundo da Caldeira da ilha Graciosa. Do ponto de vista da génese, trata-se da parte superficial de uma conduta vulcânica que sofreu esvaziamento parcial em resultado do refluxo da lava para bolsadas no interior do vulcão ou para bocas localizadas a cotas inferiores. Esta conduta poderá corresponder à que alimentou o lago de lava basáltica que se formou no interior da caldeira num dado momento da história geológica da ilha. Este lago transbordou pelo bordo noroeste da Caldeira, originando os vastos derrames que correram para nordeste, em direcção à vila da Praia, e para sul, atingindo o litoral na Baía da Folga. Posteriormente o lago de lava esvaziou, provavelmente por refluxo da lava pelas condutas que originaram a Furna do Enxofre, deixando um rebordo horizontal no interior da Caldeira que marca o nível máximo atingido.
A cavidade contacta com o exterior através de dois algares, no maior dos quais foi contruída uma torre com uma escadaria em caracol que lhe dá acesso. A posição relativa das duas aberturas bem como a forma da cavidade sugerem que esta se desenvolveu a favor de um filão com orientação nordeste-sudoeste (Gaspar, 1995, 1996; Gaspar & Queiroz, 1995).
A gruta é constituída por uma ampla sala de tecto abobadado e piso inclinado para sueste, na parte mais baixa da qual existe um lago permanente. Encostado à parede do lado nordeste há um pequeno poço com uma fumarola.
O desnível máximo, entre a boca da abertura principal e a superfície média do lago, ronda os 90 m. A altura máxima da sala deverá rondar uma vintena de metros e o seu diâmetro deve ser próximo de uma centena de metros.
Um aspecto importante nesta gruta vulcânica é a ocorrência, no seu interior, de desgaseificações ricas em dióxido de carbono. Sendo o CO2 um gás incolor, inodoro e mais denso que o ar, a sua acumulação nas áreas mais baixas da furna constitui um risco elevado para os visitantes. Quem desça abaixo da superfície da nuvem de dióxido de carbono pode sofrer asfixia por ausência de oxigénio. A vítima respira um gás que contém pouco ou nenhum oxigénio livre, o que leva a um aumento da frequência respiratória e cardíaca como se estivesse cansada, até que ocorre o desmaio e posterior morte por asfixia. Tal aconteceu já a um grupo de visitantes que quis dar um passeio de barco no lago subterrâneo. José Madeira
Bibl. Gaspar, J. L. (1995), Breve nota sobre as principais estruturas tectónicas da ilha Graciosa (Açores). Açoreana 8 (1): 177-179. Id. (1996), Ilha Graciosa (Açores): história vulcanológica e avaliação do hazard. Tese de doutoramento, Universidade dos Açores. Gaspar, J. L. & Queiroz, G. (1995), Carta Vulcanológica dos Açores Ilha Graciosa. Ponta Delgada, Edição do Departamento de Geociências e Centro de Vulcanologia da Universidade dos Açores e da Câmara Municipal da Santa Cruz da Graciosa, 2 folhas na escala 1:10.000.
