Furna de Frei Matias
Pequena gruta vulcânica localizada na vertente ocidental do vulcão da Montanha do Pico, cerca de 8 km a ESE da Madalena, junto à estrada longitudinal. A cavidade, que corresponde a um tubo de lava, é constituída por duas galerias, localmente ramificadas, que totalizam uma extensão com cerca de 175 m. O acesso ao interior da furna faz-se por dois algares formados pelo abatimento do tecto. A gruta desenvolve-se no sentido E-W de acordo com o declive do edifício vulcânico e segundo o sentido de fluxo dos derrames que lhe deram origem. A forma da secção das galerias é semicircular e bastante constante, apresentando tecto abobadado e chão frequentemente plano que inclina suavemente para jusante. Nas paredes existem localmente plataformas ou saliências que são o testemunho dos níveis atingidos pela lava no interior do tubo. As paredes e o tecto estão quase sempre ornamentadas com estalactites de lava formadas pelos pingos que vão escorrendo à medida que o nível da lava desce no interior da galeria. Ambas as galerias terminam para jusante em zonas muito estreitas, onde apenas com grande esforço se consegue penetrar. Para montante, a única galeria termina numa sala com um amontoado de blocos resultante do abatimento parcial do tecto.
Os hornitos existentes sobre a gruta poderão ser estruturas alimentadas pelos tubos de lava, sem que possuam chaminé associada.
Parte importante dos derrames que atingiram o litoral da ilha poderá ter sido conduzida ao longo destes sistemas subterrâneos, permitindo que as lavas percorressem distâncias apreciáveis mantendo temperatura e fluidez elevadas. José Madeira
