fura-olhos

Nome vernáculo de várias espécies de insectos também conhecidas por «libelinhas» da ordem Odonata e famílias Aeschnidae, Coenagriidae e Libellulidae. São espécies que vivem associadas a zonas húmidas e que funcionam frequentemente como espécies indicadoras da qualidade desses biótopos e, em muitos países, como espécies «umbrella» na conservação de zonas húmidas. As larvas são temíveis predadores de outros invertebrados e vivem nas lagoas e águas correntes.

Nos Açores, são conhecidas 4 espécies de Fura-olhos (= libelinhas): a) uma de grandes dimensões, Anax imperator Leach (Aeschnidae) (Fig. 1), será aquela mais familiar aos visitantes das lagoas e lagoeiros dos Açores, possui um voo vigoroso e com os seus grandes olhos pode ter um aspecto assustador; b) de tamanho intermédio Sympetrum fonscolombei (Selus) (Libellulidae) de cores avermelhada (o macho) e amarelada (a fêmea); c) finalmente, espécies de pequenas dimensões de cor azulada, Ischnura hastata (Say) e Ischnura pumilio (Charpentier) (Malkmus, 2002).

Não existem estudos sobre a dinâmica e distribuição destas espécies nas zonas húmidas dos Açores, nem se sabe qual o impacto que a eutrofização da muitas lagoas e zonas húmidas (e.g. turfeiras) e a poluição azotada de ribeiras tem nas populações destas espécies. No entanto, um estudo recente sobre Ischnura hastata (Cordero Rivera, 2004), demonstra que as populações desta espécie partenogenética se encontram em redução em muitas das ilhas e apenas com alguma saúde ecológica na ilha do Pico onde a pressão das actividades relacionadas com a pastagem é menor. Pela sua beleza e importância ecológica como predadores os fura-olhos deveriam ser espécies protegidas nos Açores. Paulo A. V. Borges

Bibl. Cordero Rivera, A., Lorenzo Carballa, M. O., Utzeri, C. & Vieira, V. (2004). Distribución de Ischnura hastata (Say, 1839) en las isles Azores, una especie de Odonato partenogenético (Zygoptera, Coenagrionidae). Ed. Dora Pombo, Actas do XI Congresso Ibérico de Entomologia (Funchal, Madeira, Setembro de 2004), Universidade da Madeira. Malkmus, R. (2002), Die Verbreitung der Libellen Portugals, Madeiras und der Azoren. Nachrichten des Naturwissenschaftlichen Museum Aschaffenburg, 106: 117-143.