funcho

História Natural Nome pelo qual são conhecidas as plantas da família Apiaceae pertencentes à espécie Foeniculum vulgare (Schäfer, 2002; Sjögren, 2001).

Segundo Schäfer (2002) e Sjögren (2001), é uma planta de tronco erecto, ramificado na parte superior, estriado, glabro, atingindo 2.5 m de altura, com um rizoma tuberoso até 2 m de comprimento; folhas 3- a 4- pinadas, aromáticas, com lóbulos filiformes, com segmentos até 5 cm de comprimento; flores amarelas, em umbelas laterais e terminais com até 25 raios; pétalas 5, amarelas; brácteas e bractéolas ausentes; fruto oblongo, consistindo de 2 mericarpos, até 9 mm, não alados; perene ou bienal; floração de Maio a Novembro.

Pinto-da-Silva & Pinto-da-Silva (1974) referem umbelas com 30 raios em material colhido na ilha do Pico, a sua forte relação com a ssp. piperitum, e registam a ocorrência nos Açores da ssp. vulgare representada pela variedade azoricum que Pinto-da-Silva (cf. Palhinha, 1966: 86) aponta como origem possível dos funchos hortícolas.

Nativa do sul e do sudoeste da Europa, ocorre em quase todo este continente, nas ilhas Canárias, Madeira e Açores. Naturalizada nos declives costeiros, arenosos ou de cascalho, mantos lávicos e paredes de pedra deste arquipélago (Sjögren, 1973), para onde foi registada por Seubert & Hochstetter (1843), é comum principalmente nos campos, em pastagens secas, nas bermas das estradas e caminhos e junto dos povoados, em lixeiras, geralmente abaixo de 500 m (Schäfer, 2002; Sjögren, 2001).

Medicina Popular Rica em pró-vitamina A é indicada como digestiva, diurética, antiespamódica, carminativa, galactagoga, vulnerária e vermífuga. Para utilização externa (bochechos, gargarejos ou lavagens) – 1 colher de chá de sementes por copo de água em infusão. Para utilização interna – 20 grs. de sementes secas ou 30 grs. de raiz (pouco desenvolvida de exemplares selvagens) em decocção durante 15 minutos ou sopa que se faz com as folhas (Corsépius, 1997).

Culinária As folhas mais tenras, picadas, a que se juntam cebola, alho picado, gordura (v. g. banha de porco, toucinho, linguiça) e sal são usadas na confecção de sopa. O gosto desta melhora quando a quantidade do alho é aumentada. Se for alho-bravo deve adicionar-se a rama picada que transmite sabor particular. Pode ser engrossada com farinha de milho que só deve ser adicionada depois das folhas de funcho estarem cozidas. Pode servir-se sobre pão de milho às fatias ou esfarelado. A esta sopa pode juntar-se batata, branca ou doce, couve picada, ou feijão, branco ou encarnado, cozido e ralado previamente.

A semente de funcho é usada, frequentemente, na doçaria (v. g. escaldadas, espécie, fofas, filhós) e na aromatização de licor em substituição de anis. Luís M. Arruda

Bibl. Corsépius, Y. (1997), Algumas plantas medicinais dos Açores. 2.a ed., s.l., s.e. Gomes, A. (1982), Cozinha tradicional da ilha Terceira. [Angra do Heroísmo], Direcção Regional dos Assuntos Culturais. Id. (1988), Cozinha tradicional da ilha de S. Miguel. Angra do Heroísmo, Direcção Regional dos Assuntos Culturais. Id. (1998), Cozinha tradicional da ilha de Santa Maria. S.l. [Angra do Heroísmo], Direcção Regional da Cultura. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das plantas vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves. Pereira, B. [1994], Cozinha regional dos Açores. Mem Martins, Publicações Europa-América, Lda. Pinto-da-Silva, A. R. & Pinto-da-Silva, Q. G. (1974), Ferns and flowering plants of the Azores. Agronomia Lusitana, 36, 1: 5-94. Schäfer, H. (2002), Flora of the Azores, A field guide. Weikersheim, Margraf Verlag. Seubert, M. e Hochstetter, C. (1843), Uebersicht der Flora der azorischen Inseln. Archiv für Naturgeschichte, 9, 1: 1-24. Sjögren, E. (1973), Recent changes in the vascular flora and vegetation of the Azores islands. Memórias da Sociedade Broteriana, 22: 1-453. Id. (2001), Plantas e flores dos Açores. S.l., ed. do autor.