Fróis
Da ilha Terceira. O primeiro deste apelido de que tenho notícia segura é Henrique Fernandes de Fróis que, em 1584, foi juiz da vila de S. Sebastião conjuntamente com seu cunhado Aleixo Pacheco de Lima. Frei Diogo das Chagas dá este Henrique Fernandes de Fróis como filho de Gaspar Fernandes e de sua mulher Helena Dias; neto paterno de Henrique Fernandes de Lamego, moço de câmara de Filipe I de Portugal, e de sua mulher, Leonor Fernandes, filha de Baltazar Gonçalves Bravo; bisneto em varonia de Pedro Fernandes, natural de Lamego, que casou em S. Sebastião com Lucrécia Nunes. Este Pedro Fernandes de Lamego (como era conhecido) foi mercador de bom trato e granjeou razoável casa e fazenda, convertendo-se num dos mais importantes homens da governança do seu tempo na vila de S. Sebastião. Se é certo que frei Diogo das Chagas é geralmente considerado uma fonte relativamente segura não é menos verdade que a menção, que faz Drummond, deste Henrique Fernandes de Fróis ser cunhado de Aleixo Pacheco de Lima levanta alguma perplexidade. Embora este Aleixo Pacheco de Lima seja uma figura bem conhecida do começo do domínio filipino, nunca consegui documentar-lhe os pais em fontes primárias e não afasto a hipótese de que o seu papel, e ascensão rápida, logo após o desembarque do marquês de Santa Cruz possam ter contribuído para o excluir das genealogias que consultei. Em contrapartida é referido que sua mulher, Agueda Camelo (que lhe sobreviveu e figura nos primeiros registos paroquiais de S. Sebastião) seria filha de um Fernão Anes Fróis e administradora de uma capela edificada, antes de 1568, na vila de S. Sebastião, por uns tios seus. Parece indubitável a relação de parentesco entre este último Fernão Anes Fróis e Henrique Fernandes de Fróis. Também dou crédito à informação do escrupuloso Drummond que o faz cunhado de Aleixo Pacheco de Lima e, presumo que consequentemente, irmão de Águeda Camelo. Se assim for e frei Diogo das Chagas estiver certo, julgo admissível deduzir que Fernão Anes de Fróis, sendo o possível tronco dos deste apelido, não passe de um ascendente por linha feminina de Henrique Fernandes de Fróis que, tendo casado com Catarina Vicente, deixou descendentes na vila de S. Sebastião, parte dos quais terá passado à ilha do Faial. Desta descendência procederia Domingos Cardoso Fróis, guarda-livros na mesma vila de S. Sebastião em época que não consegui precisar. Ignoro a relação de parentesco entre estes e Catarina Francisca de Fróis, sobrinha e mulher do licenciado António Pires do Couto (que testou em 22 de Novembro de 1597), bem como com Maria de Fróis, mulher de António Pamplona, o segundo do nome. Manuel Lamas
