Frias, Pedro de (frei)
[N. ?, c. 1537 m. Paris, c. 1596-1597] São escassos os dados biográficos de que dispomos relativamente a este religioso, partidário de D. António, actor e testemunha directa de muitos dos importantes eventos que tiveram como palco o arquipélago dos Açores no período 1581-1583, ou seja, enquanto durou a resistência na Terceira dos defensores da causa do Prior do Crato. Os elementos conhecidos foram organizados por Mário Alberto Nunes Costa (Frias, 1955: 3-17), que desenhou o perfil possível em introdução ao relato que o próprio Pedro de Frias elaborou dos sucessos relativos à acção de D. António e dos seus seguidores nos Açores. Frei Pedro de Frias, de quem se ignora a naturalidade e a origem social, era um Franciscano Observante e tinha por alcunha «O Mil Homens». Virtuoso e humilde, era também, segundo D. João de Castro, citado por Mário Alberto Nunes Costa, «valente, & guerreiro», amigo da guerra e de mosquetes (Frias, 1955: 10). No plano cultural, os testemunhos não parecem muito favoráveis. Da sua trajectória, sabemos que procurou D. António quando este se encontrava em França e que o acompanhou aos Açores em 1582, desempenhando uma missão na Graciosa (Frias, 1955: 12 e 143-144). Após a derrota naval das hostes de D. António, a 26 de Junho de 1582, Frei Pedro de Frias acompanhou o Prior do Crato nas suas andanças e no exílio final. A partir de 1585 ou 1586, terá começado a redigir um relato dos acontecimentos que vivera, recheado de pormenor e colorido e aqui e ali pautado por juízos de valor, mas que se revela uma fonte essencial para um conhecimento mais próximo da história açoriana ao tempo da conquista filipina. Frei Pedro de Frias regressou a Portugal em 1589, na armada de Francis *Drake, e deixou uma primeira versão do manuscrito em terras lusas, tornando a Inglaterra, onde iniciou nova redacção. José Damião Rodrigues
Bibl. Frias, P. (1955), Crónica del-Rei D. António, Estudo e leitura de Mário Alberto Nunes Costa. Coimbra, Acta Universitatis Conimbrigensis.
