Freitas, António de
[N. Fajãzinha, Lajes das Flores, 15.3.1792 m. Santa Cruz, 15.5.1864] Comerciante e aventureiro, nasceu na freguesia da Fajãzinha, concelho de Lajes das Flores, a 15 de Março de 1792, filho de António de Freitas Maio e de Helena Maria, e, muito jovem ainda, rumou ao Oriente, onde construiu apreciável fortuna, designadamente no comércio de ópio. De regresso às Flores, estabeleceu-se no lugar do Mosteiro e ali fez construir, a expensas próprias, uma ermida, dada por concluída em 1846 e que quatro anos mais tarde foi erigida em paróquia.
Em Macau, onde fixara residência, casou com Ana Pulcreana de Freitas, de quem teve quatro filhos, e, já nas Flores, onde se estabeleceu com a família por volta de 1845, voltou a casar a 19 de Outubro de 1856 com Maria Leopoldina de Almeida. À data deste segundo casamento, celebrado na vila das Lajes, António de Freitas já abandonara, porém, a freguesia do Mosteiro, onde havia sepultado a primeira mulher e a filha, estabelecendo-se na vila de Santa Cruz, onde, de resto, viria a falecer.
Condoído pelo destino de muitas crianças «pagãs», empregou na sua compra, pelo menos depois de sair de Macau, os rendimentos das duas casas de morada que ali possuía e que eram administradas por Cláudio Inácio da Silva, seu procurador.
No seu testamento, lavrado a 15 de Setembro de 1855, António de Freitas, então já com 63 anos, e em vésperas de contrair segundo matrimónio, revelou-se, de resto, um homem de fé e extremamente religioso e caritativo. «Declaro que sou católico romano, em cuja santa religião protesto viver e morrer, em cuja vivíssima fé espero salvar minha alma, não pelos meus merecimentos, mas sim pelos da paixão e morte do unigénito Filho de Deus», confessa ele a abrir o testamento, pedindo também que, logo que faleça, seu corpo «seja envolto em um hábito da venerável Ordem Terceira de que sou indigno irmão, e por cima deste um outro hábito da Ordem do Patriarca São Francisco, os quais conservo para este fim.»
Aos seus testamenteiros, recomenda ainda que, morrendo nas Flores, seja sepultado, evitando «tudo quanto forem grandezas e pompas», no Mosteiro, em sepultura de terra, entre a cruz do cemitério e os túmulos onde jazem as suas consorte e filha.
Pede, igualmente, que depois da sua morte lhe mandem celebrar 500 mil réis em missas, outras mil missas, todas rezadas e ditas de uma só vez, pelas almas do purgatório e das que, mesmo ainda vivas, se achem em pecado mortal, e, ainda, todas as sextas-feiras, uma missa em louvor de Santa Filomena.
Por conta dos rendimentos de um campo de terras nos Terreiros, que comprara ao comandante António Lopes de Amorim, e dos outros bens que toma à conta da sua terça, ordena que seus testamenteiros promovam todos os anos as festas do orago, da Senhora das Dores, do Coração de Nossa Senhora e de Santa Filomena, «com a mesma solenidade e grandeza» com que em sua vida costumava fazer, devendo aqueles «sempre obsequiar todas aquelas pessoas devotas que concorrerem às mesmas festividades», e as novenas à Senhora do Carmo, Santa Rita, S. Francisco Xavier, Santo António, Coração de Nossa Senhora e S. Francisco de Assis, sendo esta última cantada.
O seu testamento contempla igualmente com 500 mil réis os pobres mais necessitados, a quem deveriam também ser dados de esmola, todas as sextas-feiras ou sábados, outros 600 réis. Francisco Gomes
