Freitas

Da ilha Graciosa. Os deste apelido que se fixaram na ilha Graciosa descendem dos dois casamentos de Isabel de Freitas Peixoto, filha de João de Freitas Peixoto e de sua mulher Branca Gil Ribeiro. Este João de Freitas Peixoto, filho de Mendo Afonso Peixoto e de sua mulher Inês Pires de Freitas que foram padroeiros da igreja de S. Romão de Arões e de Santa Cristina.

A Isabel de Freitas Peixoto, que terá vivido em Guimarães, casou pela primeira vez com Jorge Lopes de quem foi filho segundo António de Freitas, o velho, que passou à ilha Graciosa no começo do século XV, onde terá sido personagem de relevo no meio. Foi ele que levou para a ilha, em 1520, o belo exemplar de escultura tardo-medieval que é a Cruz da Barra, ainda hoje existente e na qual se encontra entalhado na esfera dessa mesma cruz em caligrafia gótica «António de Freitas me trouxe». Na ilha parece ter casado com Maria Correia, filha de Henrique Pestana, que era já viúva de Fernão de Ávila, de quem terá tido geração. Foi seu contemporâneo António de Freitas, o moço, que alguns genealogistas fazem irmão do primeiro, o que me parece improvável. A menos que António de Freitas, o velho fosse irmão da genearca Isabel de Freitas Peixoto e, portanto, sobrinho do ofertante da cruz da Barra. Seja como for este António de Freitas, o moço, casou com Inês de Ataíde, também ela filha de Henrique Pestana, citado como primeiro capitão de ordenanças da Graciosa, o que me parece anacronismo, e de sua mulher Inês de Ataíde, que alguns genealogistas fazem filha do conde da Feira, o que não encontro em fontes primárias continentais e me parece cronologicamente problemático. Com este António de Freitas, o velho, veio o seu irmão Gaspar de Freitas que na mesma ilha casou com Antónia Pestana, igualmente filha de Henrique Pestana, e deixou geração. Do segundo casamento de Isabel de Freitas Peixoto com Pedro Gonçalves de Basto nasceu Guiomar de Freitas, que terá acompanhado os seus meios-irmãos à Graciosa onde casou, no último decénio do século XV, com Fernão Furtado de Mendonça de quem foi segunda mulher e de quem teve geração que, usando os apelidos Mendonça, ou Freitas de Mendonça, se multiplicou por essa ilha e adjacentes e Brasil até à actualidade. Enviuvando do seu primeiro marido Guiomar de Freitas voltou a casar com Gaspar Dias d’Arce, asturiano e cunhado do capitão da ilha Terceira Jácome de Bruges, que era também viúvo de Beatriz de Melo, filha de Vasco Martins de Melo, que era sobrinho bastardo do 1.º conde da Atalaia. Deste segundo casamento nasceu Joana d’Arce que, por seu turno, veio a casar com Francisco Nunes Pereira, filho de Nuno Martins Palha, alentejano, natural de Vera Cruz de Marmelar, que foi escudeiro e almoxarife da real fazenda, e de sua mulher Mor Gonçalves Pereira, que testou a 23 de Junho de 1512, instituidora da capela do Espírito Santo, na ilha Graciosa. Sabemos que Nuno Martins Palha casou com Mor Gonçalves Pereira, antes de 1487, na ilha do Faial por uma carta de perdão (IAN/TT, 23 de Março de 1487) que refere ter este Vasco mantido afeição carnal com sua, já então sogra, Maria Fernandes, delito que lhe valeu a condenação a dois anos de serviço na praça de Arzila. Ficam assim os pais de Mor Gonçalves Pereira, Gonçalo Pereira e Maria Fernandes, residentes no Faial, a ser os únicos deste apelido documentados em fontes primárias, como residentes nessa ilha no terceiro quartel do século XV.

De Francisco Nunes Pereira, que testou em 30 de Abril de 1566, e de sua mulher Joana d’Arce nasceu Filipa Pereira, mulher de Bartolomeu Dias Couceiro, de quem não teve geração. Esta Filipa Pereira institui um vínculo e deixou bens que, durante algum tempo serviram para dotar as suas primas, de alguns ramos dos descendentes de Guiomar de Freitas e de Fernão Furtado de Mendonça que, entretanto, haviam caído na pobreza.

Na ilha Terceira nasceu o capitão Domingos Fernandes da Costa, casado com Francisca Minguens, que fez carreira política no reinado de Filipe I de Portugal, sendo nomeado ouvidor na ilha de S. Jorge (1590-1593) e recebeu o foro de cavaleiro-fidalgo da casa real, de quem foi filho herdeiro o capitão Gaspar de Freitas da Costa, falecido em 1637. O apelido Freitas, usado pelos descendentes de Domingos Fernandes da Costa parece oriundo da ilha Terceira, mais concretamente das freguesias de Santa Bárbara ou de S. Sebastião, onde se encontram Freitas anteriores ao final do século XVI com descendência actual. Tenho notícia que, da ilha da Madeira, terão passado à ilha de S. Miguel em várias épocas pessoas que usavam este apelido. Manuel Lamas