freira-do-bugio

Nome vulgar da espécie de ave marinha nocturna Pterodroma feae (Procellariidae) (Direcção Regional do Ambiente (ed.), s.d.), anteriormente descrita como uma raça de P. mollis. Pode corresponder à ave designada por *boeiro nas crónicas históricas dos séculos XVI e XVII de Gaspar Frutuoso e de Diogo das Chagas, respectivamente, como ocorrendo nas Flores e no Corvo. Bugio alude ao nome de uma das ilhas Desertas, no arquipélago da Madeira. O epíteto específico feae homenageia quem a descobriu, o colector italiano Leonardo Fea.

Mede 32-37 cm de comprimento; de cor cinzento-acastanhada sobre a coroa, manto, escapulário e tectrizes com um padrão escuro em forma de M, mais ou menos evidente consoante a luz e a distância; face superior da cauda de coloração cinza-pálida, uniforme; fronte, por cima do bico, branca; os lados das faces e os lados do pescoço salpicados de cinza e branco mas a face restante branca; parte lateral do peito cinzenta-clara; branca na parte ventral (Bannerman e Bannerman, 1965).

Durante o dia habita buracos e fendas em saliências de montanhas altas não erosionadas e com vegetação. Depois da noite cair desce até ao mar. Reproduz-se no final do verão e no outono. Nidifica em pequenas colónias. Põe os ovos em tocas.

Espécie migratória, dispersiva, conta apenas 150 a 200 casais nas ilhas Desertas e menos de 1.000 em Cabo Verde (Direcção Regional do Ambiente (ed.), s.d.). Registada para os Açores por Bibby e del Nevo (1991), recentemente têm sido observados alguns indivíduos nos Açores (Monteiro e Furness, 1995; Monteiro et al., 1996), onde, possivelmente, nidifica (Direcção Regional do Ambiente (ed.), s.d.).

Trata-se de uma espécie considerada em perigo pela Convenção de Berna relativa à Protecção da Vida Selvagem e do Ambiente Natural na Europa e pelo Decreto-Lei 140/99 de 24 de Abril (Anexo A-I). A alteração do habitat devido à pressão humana, a introdução de animais herbívoros e a predação dos ninhos por roedores são os principais factores de ameaça. Luís M. Arruda

Bibl. Bannerman, D. A. e Bannerman, W. M. (1965), Birds of the Atlantic Islands, 2: A History of the Birds of Madeira, The Desertas, and the Porto Santo Islands. Edimburgo e Londres, Oliver & Boyd. Bibby, C. J. e del Nevo, A. J. (1991), A first record of Pterodroma feae from the Azores. Bulletin of the British Ornithologists Club, 111, 4: 183-186. Direcção Regional do Ambiente (ed.) (s.d.), Guia das aves marinhas dos Açores. [Horta]. Monteiro, L. R. e Furness, R. W, (1995), Fea’s petel Pterodroma feae in the Azores. Bulletin of the British Ornithologists Club, 115, 1: 9-14. Monteiro, L. R., Ramos, J. A., Furness, R. W. (1996), Past and present status and conservation of the seabirds breeding in the Azores archipelago. Biological Conservation, 78: 319-328.