Frederico A. Vasconcelos (Herdeiros), Ld.a

Sociedade por quotas de responsabilidade limitada, constituída legalmente por escritura de 2.7.1948, lavrada nas notas do notário de Lisboa Dr. Pedro Augusto dos Santos Gomes e inscrita na Conservatória do Registo Comercial de Angra do Heroísmo sob o n.º 138 e tendo a sua sede nesta mesma cidade. Na base desta sociedade e escritura pública foram considerados os valores patrimoniais e os negócios que ficaram por óbito de Frederico Augusto de Vasconcelos Júnior, falecido na então rua Rio de Janeiro, freguesia da Sé, concelho de Angra do Heroísmo, a 23.3.1947, a que se têm seguido várias alterações em diferentes datas, relativamente ao seu pacto social. Formaram tal sociedade comercial, a viúva do anterior, e os filhos do casal, que outorgaram, a saber: D. Georgina Pereira de Vasconcelos, Frederico Pereira de Vasconcelos, D. Amélia Vasconcelos e Távora e D. Georgina de Vasconcelos Aragão.

Historial

O nome desta família, sobejamente conhecido, permanece na praça comercial de Angra do Heroísmo, ilha Terceira, pelo menos, desde 1861, data, aliás, recordada no seu papel de carta timbrado. Foi seu fundador Frederico Augusto de *Vasconcelos sénior, negociante, político e homem de negócios bem sucedido, nome este que vai dar lugar a mais três gerações consecutivas do mesmo nome baptismal ou seja: seu filho Frederico Augusto de Vasconcelos Júnior; seu neto Frederico Pereira de Vasconcelos; e seu bisneto e último da geração, pois faleceu solteiro e sem descendentes, Frederico João de Freitas e Vasconcelos, o continuador da Casa e sigla comercial até 1993, altura da sua morte, embora a firma continuasse com o mesmo nome; todavia, os sócios actuais são já de outra família. Mas, o fundador supra referido, Frederico Augusto de Vasconcelos sénior, era filho de Luís José de Vasconcelos, homem de negócios, político e mercador, de que já se dá conta como fixado na cidade de Angra à data de 1795 e onde falece na freguesia da Conceição a 23.11.1833, sendo este filho de outro mercador, Vitorino José de Vasconcelos, que residia e actuava na freguesia de Santa Marta de Lisboa, operando como entreposto comercial na recepção das partidas de caixaria de laranja que o filho lhe enviava da Terceira, para ele vender e distribuir no mercado do continente. Este ter-se-á estabelecido por volta de 1750. Mas em Angra, só se vislumbra a permanência do filho cinco anos antes do fim do século XVIII, portanto, já com antiguidade bastante no ramo e à distância no tempo (1795 para 2003) de 210 anos, números redondos, o que assim considerando faz desta empresa uma das mais antigas, se não mesmo a mais antiga actualmente, das empresas da ilha Terceira.

Actividade empresarial

A vida económica desta empresa e a sua expansão nas mais diversas áreas e actividades, considerando os últimos duzentos anos, através da segura administração de pai a filho, apenas com uma excepção (a do tenente-coronel Francisco Xavier da Cunha *Aragão que era genro), pode ser considerada em quatro períodos de cinquenta anos, cada qual correspondendo a uma etapa específica da economia açoriana nas suas variantes.

Período 1795-1860: Preenchido pelos negócios relativos à exportação da laranja e do limão, que foi fonte de grandes riquezas nos Açores e em muito contribuiu para o desenvolvimento e expansão económica destas ilhas, recobertas de viçosos laranjais.

Período 1861-1900: Desenvolvimento da indústria alambiqueira e do comércio geral, de que se destaca, por ser importante, as remessas recebidas em 1884 de barris de petróleo, em quantidades significativas, produto naturalmente destinado a garantir a iluminação pública e/ou a empregar na força motriz da fábrica de álcool [ver álcool] de Vale de Linhares, aliás, uma indústria iniciada por Manuel Monis Barreto do Couto e outros associados numa parceria ou sociedade mercantil, designada por Empresa Angrense de Destilação, criada em 1882 e que algum tempo depois, por cessão do capital, passou a uma sociedade intitulada Nova Empresa Angrense de Destilação, cujos únicos sócios fundadores foram Frederico A. Vasconcelos sénior e Henrique de *Castro. As fábricas do álcool da Terceira, que eram duas, a de Vale de Linhares, sita a S. Bento, Angra do Heroísmo e a dos Remédios, nas Lajes, designada do Ramo Grande, mais tarde, devido a estratégias económicas e financeiras, foram ambas incorporadas na fábrica da Lagoa, em S. Miguel, o que daria acesso à Nova Empresa Angrense de Destilação na União das Fábricas Açorianas de Álcool e ao fomento, com capitais micaelenses e terceirenses, da produção de açúcar de beterraba em Santa Clara, naquela ilha. Mais tarde, no período da II Grande Guerra (1939/1944) o espaço ocupado por aquela fábrica do Ramo Grande então desactivada, foi integrado nas pistas do aeródromo das Lajes devido aos acordos entre os governos português e britânico.

Em 1886 e anos seguintes actuava esta casa comercial também em negócios de gado, para exportação, que era estabulado num edifício chamado arribana, que ficava na Boa Nova, perto do Castelo, e cuja designação perdurou até aos nossos dias.

Período 1901-1950: Fase de pequena indústrias, como: a) fabrico de refrigerantes, à base de essências de frutos, e de gasosas de que pontificou o «pirolito» de bola, bebida gasosa, que se tornou muito popular; a sua expansão foi de tal modo importante, na fábrica situada à Rocha, que se chegou a conceber uma planificação fabril destinada a cobrir o mercado do Ramo Grande e a ser situada na Praia da Vitória; b) fabrico de obra de verga (trabalhos e mobiliário em vime), muito apreciado na época; c) fabrico de mosaicos e blocos; d) fabrico de vinagre, com extensão de vinagreira em Ponta Delgada em parceria com a firma *Domingos Dias Machado, Sucessor; e) fabrico de vassouras de painço, marca registada, de que se fazia exportação para as ilhas açorianas, Madeira e mercado continental; f) engarrafamento e pasteurização de cerveja, recebida em quartolas, de João de Melo Abreu, Ponta Delgada, com óptima cerveja branca e preta; g) Lacticínia Insular, L.da, parceria com F. Moimenta, Ld.ª, (fundada em 1933), que tinha como produções principais: a manteiga da afamada marca «Insular» e o queijo que exportava, além de outros produtos mantidos em frio como gelaria e sorvetaria, onde se faziam os célebres «nevados». Foram aqui, nesta lacticínia, iniciados também os primeiros ensaios para a produção local de queijo do tipo flamengo, que exigiu deslocação a esta ilha de um especialista holandês; e h) torrefacção de cereais e empacotamento, secagem e exportação de cevada pura e de mistura.

Período 1951-2000: Participação em sociedades, como: a) Carnaçor, empresa de abate de carne e produção de enchidos; b) Hotel de Angra; c) SAAGA – Sociedade Açoriana de Armazenagem de Gás, sediada na Nordela, ilha de S. Miguel, fundada a 13 de Maio de 1968, com o objectivo de construir e explorar estações de enchimento e parques de armazenagem de GPL (Gás Liquefeito de Petróleo) e outros combustíveis líquidos na Região Autónoma dos Açores; d) parceria das Lanchas de Carregação da Ilha Terceira, que operava nos portos durante as cargas e descargas dos vapores da carreira. A Sata, inicialmente representada na cidade de Angra do Heroísmo, teve o seu primeiro balcão de atendimento na firma Frederico A. Vasconcelos (H.os), L.da. No campo das hipóteses remotas esta empresa intentou, pelos anos sessenta do século passado, alguns passos, embora débeis, no sentido da possibilidade do aproveitamento industrial da Água Azeda da Serreta, sua captação, enchimento e comercialização, mas a ideia foi logo abandonada até porque as análises à mesma não foram conclusivas. Valdemar Mota