frades
1 A presença do clero regular nos Açores é comprovado desde os inícios do povoamento, pois desde «logo vieram frades, sabendo estarem povoadas de gente, para alentarem com doutrina do Céu». A iniciativa coube aos *Franciscanos que, desde final do século XV, se instalaram em todas as ilhas, com excepção do Corvo, seguidos dos Jesuítas e dos *Agostinhos, que se instalaram no decurso dos séculos XVI e XVII apenas nas ilhas de S. Miguel, Terceira e Faial, acompanhados pelos Carmelitas Calçados, que aportaram na Horta em meados de Seiscentos. No século XX, a inovação fez-se pela introdução das Hospitalárias na Terceira e S. Miguel. A concentração de frades foi, pois, evidente nas parcelas mais densamente povoadas, em resultado, na maior parte dos casos, de iniciativas particulares, eclesiásticas ou leigas. É o caso da fundação do convento franciscano na vila do Topo, em S. Jorge, a instâncias do padre Diogo de Matos da Silveira, cerca de 1650, e do convento de Nossa Senhora da Graça de Ponta Delgada, em S. Miguel, iniciado em 1606 pela iniciativa do licenciado António de Frias. Para lá das responsabilidades pastorais e espirituais (pregação e confissão), e do seu papel como coadjutores do serviço prestado pelo clero secular, os frades exerceram uma importante actividade no ensino regional (cf. educação), designadamente os franciscanos e agostinhos, na leccionação das disciplinas de Moral, Filosofia, Latim, Artes e Teologia, e os jesuítas, responsáveis pelo curso de Humanidades nos três colégios insulares. No presente, é impossível apontar números para avaliar a adesão da população açoriana ao ideal religioso. A inserção de jovens no circuito conventual dependia, muitas vezes, das estratégias familiares, dos jogos de gestão das heranças e dos desejos de canalizar os excedentes familiares para uma ordem religiosa que permitisse alguma promoção social. Mas a evolução numérica ilhense terá sido idêntica ao espaço reinol: depois da ascensão verificada entre os séculos XV e XVIII, assistir-se-ia a uma paulatina desertificação. Uma das estatísticas referentes à ilha de S. Miguel corrobora este pressuposto, quando regista a presença de 133 frades em todos os conventos masculinos em 1800, valor que decresce para 29 indivíduos no ano de 1813. A extinção das ordens religiosas, em resultado do decreto de 17 de Maio de 1832, acabará, pois, apenas por oficializar uma realidade que já se notava há algum tempo. Susana Goulart Costa 2, s. Pedras pontiagudas que se alinham em fila pelo mar dentro (Maia, 1965). João Saramago e José Bettencourt
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