forte de São Sebastião
Pertence à freguesia das Angústias, na cidade da Horta. Foi conhecido por forte da Cruz dos Mortos. É, com toda a probabilidade, o forte de Nossa Senhora das Angústias, relacionado em inícios do século XVIII pelo General Castelo Branco. A sua construção deverá remontar a inícios do século XVII, durante o domínio filipino. Está edificado sobre rocha firme, e é banhado pelo mar da baía de Porto-Pim por três faces. A sua forma é a de uma luneta pouco regular, sobre uma área de 13 ares. Tem onze canhoneiras e defendia a entrada da baía de Porto-Pim com fogos de oeste e sudoeste; a face voltada a leste cruzava fogos com os do forte de Porto-Pim. A face que olha a norte é fechada por um muro de 5 metros de altura. A muralha a leste é ligeiramente mais baixa (4,2 m) na preia-mar, a mesma altura das duas canhoneiras contíguas já viradas a sudoeste; altura está ideal para o tiro rasante contra qualquer navio intruso que conseguisse entrar na baía do Porto-Pim. As restantes canhoneiras viradas a sudoeste e a oeste, destinadas a bater mais longe, para a entrada da baía, situam-se a um nível mais alto (5,6 m), para cuja plataforma se sobe por uma rampa.
Tinha função defensiva exclusivamente marítima, já que poderia ser facilmente batido de terra a partir do Monte da Guia, do outro lado da baía, e pelas elevações que lhe ficam mais próximas com domínio sobre ele.
No interior, pequenas instalações para armazém de material de guerra e quartel caserna, cozinha, casa para o sargento e latrinas do destacamento de reformados da Ilha, desalojados na segunda metade do século XIX do forte do Bom Jesus, implantado sobre o areal já próximo da desembocadura da ribeira da Conceição, de que já não restam vestígios, cujas instalações foram cedidas para prisão da cidade da Horta; função esta que, também, o forte de São Sebastião veio a ter. O sistema defensivo complementava-se com uma linha contínua de trincheiras sobre a rocha, para leste e oeste, esta terminando numa bateria ou vigia há muito desaparecida, substituída actualmente em parte por muros de guarda feitos pelas Obras Públicas. Manuel Faria
Bibl. Barreira, C. G. (1995), Um Olhar sobre a Cidade da Horta. Horta, Núcleo Cultural da Horta. Faria, M. (1998), Tombos dos Fortes da Ilha do Faial, Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 56: 91-133. Id. (1998), Revista aos Fortes das Ilhas do Faial e Pico. Ibid., 56: 277-349. Macedo, A. L. S. (1981), História das Quatro Ilhas Que Formam o Distrito da Horta. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura, I-II [Reimp. fac-simil. da ed. de 1871].
