forragens anuais
De acordo com as definições fornecidas pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (S.R.E.A.), as culturas forrageiras são um conjunto de plantas destinadas ao corte, para dar ao gado e que são colhidas antes de completarem o seu ciclo vegetativo (maturação), de modo a serem melhor digeridas pelos animais. Podem ser consumidas pelo gado em verde ou depois de conservadas como feno ou silagem. As forragens anuais são as culturas forrageiras que completam o
ciclo vegetativo num período inferior a um ano. A cultura forrageira anual que nos Açores ocupa uma maior área é o milho com uma área de 8.750,6 hectares o que corresponde a 7 % da superfície agrícola útil (S.A.U.). O milho para forragem é cultivado com linhas e espaços dentro da linha mais apertados, do que quando se destina à produção de grão, e, toma localmente a designação de milho basto. Pretende-se produzir matéria verde, destinada praticamente na totalidade a silagem. Os outonos vêm logo a seguir ao milho em área. São definidos pela S.R.E.A. como «associações de várias espécies de leguminosas e gramíneas (ou só de leguminosas ou só de gramíneas) que ocupam o terreno durante alguns meses no Outono/Inverno, facilitando o acerto das rotações. Produzem forragem que pode servir para completar a alimentação animal no Inverno, utilizando-se em verde, ou ser conservada na forma de feno ou silagem. Podem ser sujeitos a um ou vários cortes».
As leguminosas geralmente usadas nos outonos são: o tremoço (Lupinus albus), a tremocilha (Lupinus luteus), a serradela (Ornithopus sativus), o trevo da Pérsia (Trifolium resupinatum), o trevo encarnado (Trifolium incarnatum). Os cereais usados como outonos são a erva-castelhana, nome pelo qual é mais conhecido o azevém anual (Lolium multiflorum), frequentemente usado estreme, na sucessão anual, milho-erva castelhana. As *aveias e as *cevadas são por vezes usadas estremes, outras vezes misturadas com as leguminosas. Era habitual noutros tempos misturar-se aveia com o tremoço, e os lavradores chamavam-lhe a doçura, porque o gado comia melhor o tremoço quando misturado com um pouco de aveia. A área das culturas forrageiras anuais em consociação é de 3.066,6 hectares. Há ainda culturas forrageiras que necessitam de amanhos culturais, principalmente sachos. Estão nesta categoria a abóbora forrageira, a beterraba forrageira, a cenoura forrageira, a couve forrageira, e o nabo forrageiro, entre outras, com uma área de 7,2 hectares. A área ocupada por outras culturas forrageiras anuais, além das supracitadas é de 2.102,9 hectares. Na totalidade, a área ocupada pelas forrageiras anuais no arquipélago foi estimada pela S.R.E.A. em 13.927,3 hectares. Raquel Costa e Silva
Bibl. Serviço Regional de Estatística dos Açores: Manual de instruções (fax enviado pela sede em 12.11.03). Coutinho, A. X. P. (1913), A Flora de Portugal. Lisboa, Ailland, Alves: 97, 314-315, 339, 343, 355. Franco, J. A. (1971), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores). Lisboa, Sociedade Astória, 1: 384. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves: 57-58, 61. Vasconcellos, J.C. (1962), Ervas Forrageiras. Lisboa, Direcção Geral dos Serviços Agrícolas: 53, 75, 78, 101, 112, 126.
