Fonte do Bastardo
1 Toponímia Freguesia interior do concelho da Vila da Praia da Vitória, situada na parte oriental da ilha Terceira, entre as freguesias da Praia da Vitória, a norte, Cabo da Praia, a leste, e S. Sebastião, a sul e oeste. M. Eugénia S. de Albergaria Moreira
Geografia Abrange um território muito acidentado, que corresponde, no sector ocidental ao planalto interior da ilha, pelos 300 m de altitude, e, no sector oriental da freguesia, à Serra do Cume, com 545 m de altitude no ponto mais alto, a norte, e 429 m, a sul, no cume dos Penedinhos. Na vertente oriental da serra encontram-se pequenos cones vulcânicos, de que se salientam os picos do Martim (302 m), dos Borbas (203 m) e de Fonte Bastardo (172 m), e numerosos cursos de água que aí nascem e entalham as rochas. Entre elas contam-se as ribeiras do caminho do Barreiro, das Beiras e dos Azevinhos, dos Leais e da Mala. A vertente ocidental da serra é alta; corresponde a uma escarpa de falha, e é pouco drenada. Na superfície planáltica, também com deficiente drenagem superficial, encontram-se numerosos pântanos e lagoas (Lagoa do Junco). A população residente, em 2001, contava 1.053, dos quais 479 mulheres e 574 homens. No decénio anterior, em 1991, contava 1.171 habitantes, pelo que se registou uma perda baixa (INE, 2001). Desde 1864 (716 habitantes, INE, 1960) que a população da freguesia cresce lentamente, acusando um máximo, ainda não recuperado, em 1960 (1.297 habitantes); nas duas décadas seguintes perde população (1.120 habitantes em 1970, e 1.019 em 1980), e na de noventa do século passado, reinicia o crescimento. M. Eugénia S. de Albergaria Moreira
História, Actividades Económicas e Culturais O nome desta freguesia tem a sua origem, como informa Gaspar Frutuoso, numa fonte assim chamada e existente naquela zona, mas não adianta quem seria o dito bastardo.
O terreno compreende uma zona de boas terras de cultivo e uma parte de biscoito derivado de uma erupção vulcânica (acontecida antes da descoberta da ilha) nos Picos de Garcia e hoje denominada Picos do Soares, que se estende até ao mar, no que é o Porto Martins, hoje freguesia e nunca pertencente à Fonte do Bastardo.
O povoamento desta zona deu-se em volta de uma ermida de Santa Bárbara, padroeira da freguesia, que se desconhece quem fundou, mas cuja primeira referência remonta a 1531, no testamento de Catarina da Silva. Em 1552 já era freguesia, pois outro testamento, este de Maria Alves, alude ao pároco João Fernandes, como investigou Drumond.
Em 1568, pela carta de côngruas de D. Sebastião era uma pequena povoação de menos de 100 fogos, mas ultrapassou esse número em 1590. Contudo continuou sempre com um número modesto de habitantes e só na 2.a metade do século XX atingiu o milhar de habitantes.
A sua igreja paroquial foi até aos alvores do século XX a mais pequena e modesta da Terceira e com base na velha ermida de Santa Bárbara. Em 1904 inaugurou-se o actual templo, mais no centro da freguesia e na estrada corrente, uma bela construção de cantaria da ilha, mas cuja edificação andou envolvida numa grande polémica política. Valeu para o seu acabamento a generosidade de Francisco Soares de Oliveira.
A população dedicou-se sempre essencialmente à agricultura e a partir do século XX à agro-pecuária. Os terrenos melhores e mais férteis estiveram divididos em quintas senhoriais, das quais já Frutuoso dava notícia e posteriormente os outros cronistas, quintas essas que foram desmembradas no final do regime de morgadio, em meados do século XIX. As mais conhecidas foram a de João de Bettencourt, a de Cristóvão Paim e a do António Fonseca de Câmara.
Existiu um pequeno morgado instituído em 1583 por António Correia da Fonseca e sua mulher Branca Vieira, cuja cabeça era a ermida de S. José, existente numa dessas quintas. O terramoto de 1801 destruiu-a e só voltou a ser reconstruída muito recentemente integrada numa casa nova. Nessa quinta de S. José esteve desterrado em 1794 o tenente-coronel Vital de Bettencourt, por dissidências políticas.
A evolução social e económica da Fonte do Bastardo, que sempre foi uma freguesia modesta e até pobre, acompanha contudo o percurso normal do mundo rural terceirense.
Com dois cemitérios, o primeiro de 1833 e o segundo do século XX, império de pedra e em data incerta, mas possivelmente de 1896, e remodelado em 1913, com chafariz público em 1905, uma praça de touros em actividade em 1864. Teve escola primária masculina em 1875, mas só em 1905 a feminina, tendo contudo atraso notável na construção de edifício o que levou a períodos de interrupção. Só nos anos 50 do século XX se normalizou a vida escolar.
O abastecimento de água foi um grave problema de freguesia por haver grande escassez, recorrendo a população a poços de água salobra. Só em 1979 se estabeleceu a rede domiciliária de água e em 1959 o fornecimento de energia eléctrica.
Em 1976 foi criada a Casa do Povo, hoje com instalações próprias em edifício recuperado onde também está a Junta de Freguesia. Formou-se também uma Sociedade Recreativa e Filarmónica com sede própria.
Em 1975 foi fundada a Associação de Jovens da Fonte do Bastardo que se dedica a actividades desportivas e culturais, a qual desde 1991 conta com sede própria.
Tem desde 1979 uma cooperativa de consumo.
A freguesia foi, como outras da zona da Praia, muito afectada por terramotos que destruíram parte significativa do seu parque habitacional. São mais notáveis o de 1614, o de 1800, muito violenta na zona entre S. Sebastião e Praia da Vitória, onde se incluía a Fonte do Bastardo, o de 1841 e de 1980, este menos destruidor.
Foi na Fonte do Bastardo que em 1817 se construiu o primeiro moinho de vento da Terceira, por iniciativa do pároco João Inácio Romeiro.
São personalidades assinaláveis desta freguesia Francisco Machado da *Costa, ermitão da Nazaré, o cantador popular José Francisco da Terra, O Terra, o benemérito Francisco Soares de Oliveira e o padre Dr. Valentim e Borges de Freitas, licenciado em Direito Canónico e professor do seminário de Angra, recentemente falecido no Canadá. J. G. Reis Leite
Heráldica A freguesia conta com armas, bandeira e selo próprios aprovados pela Assembleia de Freguesia em sessão de 23 de Outubro de 2001.
Os símbolos da freguesia tiveram o parecer da Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses e são o brasão, escudo de vermelho, fonte heráldica de prata e azul em chefe, coroa do Espírito Santo, de ouro. Coroa mural de prata de três coroas de três torres. Listel branco, com legenda a negro «Fonte do Bastardo». Bandeira amarela, cordão e borlas de ouro e vermelho. Haste e lança de ouro. Selo, circular com a legenda «Junta de Freguesia de Fonte do Bastardo Praia da Vitória». J. G. Reis Leite
Bibl. Diário da República (2001), III série, 292, 19 de Dezembro.
2 Sede da freguesia do mesmo nome, do concelho da Vila da Praia da Vitória, situada no sopé oriental da Serra do Cume, e abrigada de sudoeste pelo Pico da Fonte do Bastardo. 3 Nascente localizada na base da escarpa oriental da serra do Cume, situada na freguesia de Fonte Bastardo, do concelho da vila da Praia da Vitória. M. Eugénia S. de Albergaria Moreira
Bibl. Andrade, J. E. (1891), Topografia ou Descripção Physica, Politica, Civil, Eclesiastica e Histórica da Ilha Terceira. 2.a ed. anotada por José Alves da Silva. Angra do Heroísmo, Livraria Religiosa Ed. Drumond, F. F. (1990), Apontamentos Topográficos, Políticos, Civis e Eclesiásticos para a História das Nove Ilhas dos Açores. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira: 245 e segs. Instituto Nacional de Estatística (1960), Recenseamento Geral da População no Continente e Ilhas Adjacentes. Lisboa, INE, I, 1. Id. (2001), Censos 2001. Resultados Preliminares. Região Autónoma dos Açores. Lisboa, INE. Merelim, P. (1982), Freguesias da Praia. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura, I: 157-184.
