Florentino, O

1 Publicação feita em Santa Cruz das Flores, entre 2 de Julho de 1885 e 1896 (?), com várias suspensões, dedicada aos interesses desta ilha. Fundado por Constantino Cândido Leal Soares, foi editado na Imparcial Florentina. Começou por ser um semanário, com edição à quinta-feira, passando a publicar-se nos dias 10, 20 e 30 de cada mês depois de Agosto de 1886 (Gomes, 1997). Segundo o número 181, de 28.2.1894, era editada nos dias 3, 12 e 28 de cada mês. De acordo com o número 192, de 5.3.1894, era divulgado nos dias 5 e 20. Foram directores José Lúcio de Mendonça e Martinho José d’Amaral que também foi editor e proprietário. Tinha redacção e administração na travessa de S. Francisco, 2, depois a administração mudou para a rua dos Terceiros.

Formato 39,4 cm x 26,6 cm, 4 páginas, 3 colunas. Inclui o editorial Santa Cruz, um folhetim, notícias locais e regionais, transcrições de outros jornais e anúncios. 2 Semanário independente com a legenda Labor omnia vincit, que começou a ser publicado a 25 de Fevereiro de 1922, em Santa Cruz das Flores. Tinha como director, proprietário e editor Jaime Leal Páscoa que depois (21.8.1926) passou a director, editor e administrador, aparecendo António Joaquim de Braga Júnior como proprietário. Em Outubro de 1928, nova remodelação transferiu para este todos os cargos excepto o de administrador em que Páscoa continuou.

A redacção, composição e impressão eram feitas em tipografia própria, primeiro, na rua das Flores, depois, na rua do Mar. Deixou de ser publicado a 10.11.1928 (n.o 351).

No editorial «O Florentino» afirma que «[...] é fundado única e exclusivamente para advogar e defender os interesses dos habitantes destas duas ilhas, Flores e Corvo». Todavia, não obstante o subtítulo Semanário independente, é evidente o seu alinhamento político, nomeadamente com a Ditadura, depois de 28 de Maio de 1926.

De formato irregular (33,1 cm x 22,4 cm ou 31,4 cm x 19,6 cm, 4 páginas, ocasionalmente 6, inicialmente 2 colunas, depois 3), inclui editorial, notícias locais e regionais e anúncios. Porém, com o passar do tempo, os artigos da redacção e dos colaboradores deram lugar a transcrições de outros jornais. A necessidade de uma estação radiotelegráfica na ilha foi tema recorrente. Noticia a morte de Roberto de Mesquita (n.o 98 de 5.1.1924). Inclui, no número 187 e seguintes, «A obra do coronel Chaves como meteorologista» pelo major José Agostinho. A publicidade, pouca e repetitiva, era assegurada por três instituições bancárias, duas empresas de navegação e três empresas comerciais sediadas em Lisboa.

Descrições com base nas colecções existentes na Biblioteca Pública e Arquivo Regional da Horta. Luís M. Arruda

Bibl. Gomes, F. A. N. P. (1997), A Ilha das Flores: Da redescoberta à actualidade (Subsídios para a sua História). Lajes das Flores, Câmara Municipal das Lajes das Flores.