flora cavernícola

O estudo da flora associada às entradas das cavidades vulcânicas dos Açores reduz-se a quatro publicações (González-Mancebo et al., 1991a, b; Dias & Gabriel, 1994; Gabriel & Dias, 1994). A flora cavernícola dos Açores é constituída basicamente por diversas plantas criptogâmicas (fetos e briófitos) que habitam as entradas e os desabamentos dos tubos de lava e as entradas dos algares vulcânicos. Existe ainda um conjunto de algas, sobretudo clorófitas e diatomáceas, que não estão devidamente inventariadas (e.g. Algar do Carvão – Terceira) (Dias & Gabriel, 1994).

As plantas vasculares superiores são frequentes principalmente nas entradas dos algares formando barreiras naturais à sua volta. Frequentemente é possível ainda observar grandes árvores crescendo no interior de desabamentos em tubos de lava como é o caso da Gruta das Torres no Pico recentemente tornada local de visitação turística e educativa. Na ilha mais rica em cavidades vulcânicas, o Pico, é possível identificar muitas aberturas de cavidades vulcânicas pela presença de pequenas ilhotas de vegetação arbórea no meio das pastagens.

Existem actualmente cerca de 129 espécies de plantas referidas para as cavidades vulcânicas dos Açores, sendo 50 espécies de hepáticas, 55 espécies de musgos, 1 espécie de antócero, 18 espécies de fetos e 22 espécies de vasculares. As 106 espécies de briófitos constituem 25% das espécies deste grupo conhecidas no arquipélago. Um total de 17 espécies são endémicas dos Açores (4 hepáticas; 2 musgos; 3 fetos e 8 vasculares superiores). Cerca de 24 das espécies de briófitos encontradas nas cavidades são raras com base na lista da ECCB, o que torna a entrada das cavidades um habitat extremamente relevante para a conservação destas espécies.

As comunidades de briófitos (musgos e hepáticas) formam frequentemente tapetes luxuriantes de grande beleza nas entradas de alguns algares (e.g. Algar do Carvão na ilha Terceira). Não são conhecidas adaptações particulares destas plantas ao habitat cavernícola, que resultem em diferenças taxonómicas, no entanto muitas populações de musgos apresentam eixos estiolados (possivelmente devido à penumbra) e certas hepáticas (e.g. dos géneros Frullania, Porella) podem ter os sáculos ventrais modificados em lamelas, provavelmente devido à elevada humidade relativa destes locais. Rosalina Gabriel & Paulo A. V. Borges

Bibl. Dias, E. & Gabriel, R. (1994), Distribuição das comunidades vegetais no Algar do Carvão (Terceira, Açores). in Actas do 3.º Congresso Nacional de Espeleologia e do 1.º Encontro Internacional de Vulcanoespeleologia das Ilhas Atlânticas (30 de Setembro a 4 de Outubro de 1992). Angra do Heroísmo, Os Montanheiros: 214-226. Gabriel, R. & Dias, E. (1994), First approach to the study of the Algar do Carvão flora (Terceira, Azores). in Actas do 3.º Congresso Nacional de Espeleologia e do 1.º Encontro Internacional de Vulcanoespeleologia das Ilhas Atlânticas (30 de Setembro a 4 de Outubro de 1992). Angra do Heroísmo, Os Montanheiros: 206-213. González-Mancebo, J. M., Losada-Lima, A., Hernández, C. D. & During, J. (1991a), Bryophyte flora of volcanic caves in the Azores and the Canary Islands. Lindbergia, 17: 37-46. González-Mancebo, J. M., Losada-Lima, A. & Hérnandez-Garcia, C. D. (1991b), A contribution to the floristic knwoledge of caves on the Azores. Mémoires de Biospéologie, 18: 219-226.