Flamengos
1 Toponímia Freguesia do concelho da Horta, situada na encosta sudeste da ilha do Faial, entre as freguesias de Praia do Almoxarife, a norte, Conceição e Matriz, a leste, Feteira e Castelo Branco, a sul e oeste. M. Eugénia S. de Albergaria Moreira
Geografia Morfologicamente, a freguesia corresponde à bacia hidrográfica da Ribeira de Flamengos, incluindo a vertente muito declivosa do maciço da Caldeira, que culmina a 1.043 m de altitude, no Cabeço Gordo, a norte do Cabeço Redondo, com 922 m de altitude. Abaixo dos 200 m, a vertente é pouco inclinada, com uma rechã, onde se situa o aglomerado urbano de Flamengos. Em 2001 contava 1.498 habitantes residentes, dos quais 761 mulheres e 737 homens (INE, 2001), mais 25 pessoas que em 1991, mas menos 571 que em 1950, quando se verificou o máximo populacional da freguesia, no século passado (INE, 1960). Desde 1980 (1.447 habitantes), a tendência é de um lento crescimento da população. M. Eugénia S. de Albergaria Moreira
História, Actividades Económicas e Culturais A freguesia dos Flamengos, com uma área de 14,13 km2, fica situada na parte central da ilha do Faial, num vale soalheiro e fértil, rodeado por montes que o protegem dos ventos, e atravessado por uma ribeira, a 4 km da cidade da Horta, sede do concelho. A sua fundação é coeva com a criação da Horta, derivando a sua denominação dos primeiros colonos que nela se estabeleceram: os flamengos. Ao referir-se à presença do flamengo Josse Van Huertere na ilha do Faial, por volta de 1466, frei Agostinho Montalverne salienta que «depois de percorrer alguns locais da ilha, passou... com a maior parte da gente para a ribeira dos Flamengos, por ser lugar de verdura de que os flamengos são muito amigos; e daqui ficou este nome a este lugar».
A presença flamenga persiste ainda no campo da onomástica e da toponímia: ribeira dos Flamengos, e apelidos actuais como Dutra (Huertere), Silveira (Van Der Haagen), Goulart (Gouavert), Brum (Van Der Bruyn), Bulcão e Arrichotes.
Ao longo da sua história tem sido uma freguesia intensamente atingida por violentas crises sísmicas que, na maioria dos casos (31 de Agosto de 1926; 23 de Novembro de 1973 e 9 de Julho de 1998), provocaram grande destruição, sobretudo, nas habitações, embora se assinalem apenas duas mortes, durante a crise de 31 de Agosto de 1926.
Devido à sua localização e às suas características geográficas, em Agosto de 1941, instalou-se na freguesia o Batalhão de Infantaria n.° 20 que era constituído por quatro companhias que ficaram distribuídas pelas ruas do Capitão, Arrife, Lameiro Grande, Praça e Travessa Farrobo, onde se manteve até 1945.
Do ponto de vista económico: no sector primário, foi uma freguesia de abastados proprietários rurais, que se dedicavam ao cultivo do trigo, milho, laranjas e leguminosas e à criação de gado bovino e suíno. Actualmente, a maior parte das terras da freguesia são constituídas por pasto, cujos proprietários ou arrendatários se dedicam à produção de leite e à criação de gado bovino; no sector secundário, pequenas indústrias de transformação de madeiras, carpintarias, de panificação e de construção civil; no sector terciário, possui pequenas lojas de comércio, oficinas de mecânica e Casa do Povo. No campo cultural, destacam-se o jornal A Voz do Campo, fundado em 1925, já desaparecido, e os boletins informativos do Futebol Clube dos Flamengos (1978) e da Junta de freguesia (O Vale, 1998); a fundação em 1881 da Filarmónca Nova Artista Flamenguense, a primeira que existiu numa freguesia rural da ilha, e do Grupo Folclórico dos Flamengos, em 1960, que depois de alguns anos de inactividade reaparece em 1978 com o nome de Tuna e Grupo Folclórico Juvenil dos Flamengos. No ensino, a freguesia possui uma única escola que alberga o ensino pré-escolar e primário para os dois sexos. Dispôs ainda de uma escola nocturna para adultos, numa iniciativa da Sociedade Amor da Pátria, em 1870, e de uma escola comunitária para adultos, na década de 1960.
Em 1962, o cinema foi introduzido na freguesia pelo Centro Recreio Popular dos Flamengos, que se manteve até 1975. Actividade que também foi acarinhada pela associação cultural e desportiva Clube Operário dos Flamengos.
No campo desportivo, em 1956, foi fundado o Centro de Recreio Popular dos Flamengos que em 1975 se filiou na Associação de Futebol da Horta com a designação de Futebol Clube dos Flamengos. A freguesia possui também um grupo de escuteiros (n.° 1083).
No campo religioso, além da igreja matriz dedicada a Nossa Senhora da Luz, cujas solenidades se realizam a 8 de Setembro, existem as ermidas de S. João (construída entre 1921 e 1943) e de S. Lourenço (construída em 1651) e sete Irmandades do Divino Espírito Santo. A igreja paroquial começou por ser uma pequena ermida que depois foi ampliada. Em 22 de Setembro de 1597 foi saqueada e queimada pelos ingleses comandados pelo conde de *Essex. Depois de restaurada e de sofrer melhoramentos no ano de 1736, viria a ser danificada pelo terramoto de 31 de Agosto de 1926, situação que viria novamente a acontecer pelos terramotos de 23 de Novembro de 1973 e de 9 de Julho de 1998. Após as devidas obras de restauro, seria consumida por um violento incêndio a 9 de Setembro de 1938. Graças ao seu pároco, João Goulart *Cardoso, abriu ao público no dia 23 de Março de 1940.
Na freguesia existem 14 ruas, 2 largos e 2 praças. Carlos Lobão
Heráldica A freguesia dos Flamengos dispõe dos seus símbolos heráldicos a partir do ano 2000, quando foram apresentados, no dia 8 de Setembro, em sessão solene comemorativa do dia da freguesia, após a devida aprovação da proposta da Junta de Freguesia na primeira sessão ordinária da Assembleia de Freguesia, realizada no dia 18 de Abril de 2000, e do parecer favorável da Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses, de 4 de Julho do mesmo ano. São constituídos por Brasão, Bandeira e Selo.
Brasão escudo de azul, uma estrela de dezasseis pontas e duas flores-de-lis, tudo em ouro e ordenadas em roquete; em ponta burelas ondadas de prata. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com legenda a negro «FLAMENGOS-HORTA».
A aprovação da simbologia teve em conta a realidade histórica e geográfica da freguesia:
A estrela de 16 pontas simboliza a padroeira da freguesia Nossa Senhora da Luz; as tiras de prata e azul na base do Brasão (ponta) a água da Ribeira que atravessa a freguesia; e as duas flores-de-lis a Casas da Flandres, dos Duques de Borgonha, Filipe o Bom e D. Isabel, filha de D. João I, rei de Portugal, região de onde são provenientes os primeiros povoadores do Faial e da freguesia, de onde a sua designação, capitaneados por Josse Van Huertere, que depois se tornaria o primeiro capitão-do-donatário da ilha, por carta de 21 de Fevereiro de 1468.
Selo nos termos da Lei, com a legenda: «JUNTA DE FREGUESIA DOS FLAMENGOS».
Bandeira branca. O cordão e borlas de prata e azul. A haste e a lança são de ouro. Carlos Lobão
2 Sede da freguesia de Flamengos, do concelho da Horta, na ilha do Faial, instalada nas margens da ribeira do mesmo nome, com uma lindíssima vista panorâmica para a ilha do Pico. M. Eugénia S. de Albergaria Moreira
Bibl. Instituto Nacional de Estatística (1960), Recenseamento Geral da População no Continente e Ilhas Adjacentes. Lisboa, INE, I, 1. Id. (2001), Censos 2001. Resultados Preliminares. Região Autónoma dos Açores. Lisboa, INE.
