FLA Frente de Libertação dos Açores
Fundada a 8 de Abril de 1975 numa cimeira em Londres, iria congregar os independentistas açorianos sob a liderança de José de Almeida. Nunca legalizada, assumiu-se desde sempre como movimento clandestino mobilizado pela reacção ao Gonçalvismo e ao Partido Comunista Português no período pós-25 de Abril de 1974. Numa primeira fase, em que autonomistas e independentistas se confundem, contou com o apoio activo de João Bosco Mota Amaral (então líder do PPD-Açores) e de uma forte estrutura junto das comunidades emigrantes nos E.U.A. o Comité Açoriano 75. A força real do separatismo tinha as suas origens na situação de pobreza e dependência do arquipélago em relação a Lisboa, mas só chegou a ter expressão política efectiva quando coincidiu com os interesses da oligarquia local e as preocupações estratégicas dos E.U.A. A primeira manifestação, que reuniu milhares de independentistas e autonomistas nas ruas de Ponta Delgada, ocorreu a 6 de Junho de 1975 e culminou com a demissão do governador civil, Borges Coutinho. As prisões subsequentes decretadas pelo general Altino de Magalhães marcaram o início da fase de radicalização da acção da FLA. Foram destruídas sedes do PCP nas ilhas, perseguiram-se militantes de partidos de esquerda e sucederam-se atentados bombistas, embora sem vítimas mortais. A tentativa de internacionalização do movimento passou por contactos informais nos E.U.A junto da CIA e da administração de Gerald Ford. O interesse dos E.U.A. residia na base militar norte-americana estacionada nas Lajes, na ilha Terceira. O Presidente dos Estados Unidos chegou a manter na sua agenda de encontros internacionais a hipótese de aceitar, senão mesmo provocar, a independência dos Açores. Face à resposta negativa da Europa Ocidental, transmitida pelo chanceler alemão Helmut Shmidt numa reunião em Bruxelas em 29 de Maio de 1975, o presidente Ford retirou a questão da agenda. A falta de apoio internacional ditou o princípio do fim da FLA. As negociações posteriormente estabelecidas com financiadores de armas ligados ao crime internacional, como a ocorrida em Setembro de 1975 em Paris, contribuiu para a debandada da base social de apoio nas ilhas. A fase de estertor do movimento acompanhou a neutralização em Portugal do regime do MFA e a criação da solução constitucional de autonomia aprovada em 1976. Saes Furtado
Bibl. Correia, P. P. (1994), Questionar Abril. Lisboa, Caminho: 183. Gallagher, T. (1983), From Hegemony to Opposition: The Ultra Right before and after 1974 in Graham, L. e Wheeler, D. (eds.) In Search of Modern
