filão

Estrutura vulcânica intrusiva de forma aproximadamente tabular (grande extensão vertical e horizontal relativamente à espessura) que funcionou como conduta ao longo da qual ascendeu lava a partir de uma bolsada, chaminé ou câmara magmática até à superfície ou próximo dela. Quando um filão atinge a superfície topográfica origina uma erupção fissural. Após o arrefecimento da lava que permaneceu no seu interior, origina um corpo lávico com geometria tabular. Os filões podem tomar designações diferentes consoante a sua relação geométrica com a estrutura das rochas encaixantes (aquelas nas quais se intruiu). Quando o filão corta sequências estratificadas (no sentido lato: sedimentos, empilhamentos lávicos, níveis piroclásticos) diz-se discordante. Quando se instala a favor das superfícies de estratificação toma a designação de filão concordante, filão camada ou soleira. Outra designação comum é o termo dique (do inglês dike ou dyke) referente a filões verticais ou próximos da vertical.

A maioria dos filões tem uma origem mais ou menos profunda (a partir de uma câmara magmática ou bolsada magmática), embora alguns possam ser muito superficiais, propagando-se a partir de uma chaminé vulcânica e formando estruturas concêntricas ou radiais à conduta principal.

Os filões constituem as condutas alimentadoras do vulcanismo submarino que ocorre na zona axial das dorsais oceânicas, contribuindo para a expansão dos fundos oceânicos por intrusão sucessiva de filões verticais.

Estas estruturas vulcânicas podem apresentar espessuras variáveis, desde alguns centímetros até algumas centenas de metros, embora as espessuras mais comuns sejam métricas ou decimétricas.

Na estrutura interna de um filão podem observar-se frequentemente estruturas de fluxo (disjunção em lajes paralela aos bordos do filão, vesículas de gás achatadas no plano de fluxo, alinhamento de cristais, etc.) e de arrefecimento (disjunção prismática perpendicular às paredes do filão).

Em regiões vulcânicas modernas os filões encontram-se geralmente ocultos no interior do maciço rochoso. Apenas quando a erosão já removeu parte importante dos produtos vulcânicos extrusivos, os filões se encontram expostos à superfície. Nas regiões vulcânicas muito antigas, onde a erosão já destruiu as rochas vulcânicas superficiais, os filões e outras condutas são os únicos vestígios de que na região ocorreu actividade vulcânica.

Nos Açores, pelas razões acima indicadas e salvo raras excepções, os filões apenas se encontram expostos nas áreas mais antigas de cada ilha, normalmente em resultado do avanço da erosão marinha.

Santa Maria é a ilha onde se pode observar a maior quantidade de filões, precisamente por se tratar da ilha mais erosionada. Em particular nas arribas a sudoeste do aeroporto, na costa sul (do ilhéu da Vila até à Praia Formosa) e na costa norte (das Lagoinhas à Baía da Cré), ocorrem densos enxames de filões.

Outros exemplos podem ser encontrados nas arribas litorais das regiões do Nordeste e Povoação em S. Miguel e da metade oriental de S. Jorge onde a erosão marinha já penetrou profundamente no interior das formações mais antigas dessas ilhas. A ilha de S. Jorge é o melhor exemplo de vulcanismo fissural, alimentado essencialmente por filões, e expresso por alinhamentos conspícuos de cones e crateras na vertical daquelas condutas. José Madeira