feto-molar

Nome pelo qual são conhecidas as Pteridófitas da família Dryopteridaceae (ex Aspidiaceae) pertencentes à espécie Dryopteris aemula (Palhinha, 1946).

Segundo Fernandes (1983a), é uma planta perene, rizomatosa, com glândulas unicelulares, esféricas, sésseis, brilhantes, verde pálidas ou amarelo-claras a amarelo-douradas, esparsas a mais ou menos densas no pecíolo e limbo das folhas; rizoma erecto ou ascendente, com as partes velhas envolvidas pelas bases persistentes dos pecíolos das folhas caídas e as mais jovens cobertas por escamas; folhas em tufo no extremo do rizoma, geralmente numerosas, 15-95 cm longas, persistentes, murchando do ápice para a base; pecíolo de comprimento igualando o limbo, castanho-avermelhado, com escamas semelhantes às do rizoma; limbo triangular, ovado ou deltóide, 3-pinado a quase 4-pinado, verde-vivo na página superior, um pouco mais claro na inferior, com escamas na ráquis, costas e nervuras medianas dos segmentos; pinas e pínulas pecíoladas, segmentos de 3.a e 4.a ordens penatidentados; indúsio reniforme.

Registada para os Açores por Seubert (1844), encontra-se em todas as ilhas (Schäfer, 2002), em sítios pedregosos, sombrios e húmidos, ligeiramente expostos (Sjögren, 1973).

Pereira (1953) relaciona o nome vernáculo feto-molar com a espécie Polystichum setiferum (como P. aculeatum).

Segundo Fernandes (1983b), é uma planta de rizoma forte, erecto ou ascendente, densamente revestido de escamas arruivadas, por entre as quais saem numerosas raízes finas e anegradas; folhas 30-150 cm longas, geralmente não persistentes, bipinadas; pecíolo cerca de ½ a ¼ do comprimento do limbo; limbo 10-25 cm longo na parte mediana, verde na página superior, mais claro na inferior; 25-40 pinas de cada lado, as mais longas situadas na parte mediana, as outras decrescendo para o ápice e para a base do limbo; pínulas 12-25 de cada lado, distintamente pecioladas, não decorrentes; soros circulares, dispostos em 1 fiada de cada lado da nervura mediana das pínulas e do seu lobo basal.

Espécie nativa, ocorre em todas as ilhas, onde é comum em sebes e declives de baixa altitude (Schäfer, 2002). Todavia, segundo Sjögren (1973), esta espécie ocorre, preferencialmente, acima dos 200 m de altitude, em sítios húmidos. Registada para os Açores por Seubert (1844). Luís M. Arruda

Bibl. Fernandes, R. B. (1983a), Dryopteris aemula (Aspidiaceae). In Iconographia Selecta Florae Azoricae, A. Fernandes e R. B. Fernandes (eds.). Coimbra, Secretaria Regional da Cultura da Região Autónoma dos Açores, 1, 2: 251-255. Id. (1983b), Polystichum setiferum (Aspidiaceae). Ibid., 1, 2: 257-261. Palhinha, R. T. (1946), Contribuições para o conhecimento da flora dos Açores. I. Plantas vasculares da Ilha Terceira, por R. T. Palhinha, A. G. da Cunha e L. G. Sobrinho. Açoreana, 4, 1: 1-77 [nova ed. revista e aumentada]. Pereira, S. (1953), Principais plantas cultivadas e espontâneas nos Açores. Boletim da Comissão reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, 18: 1-32. Schäfer, H. (2002), Flora of the Azores, A field guide. Weikersheim, Margraf Verlag. Seubert, M. (1844), Flora azorica. Bona, Adolphum Marcum. Sjögren, E. (1973), Recent changes in the vascular flora and vegetation of the Azores Islands. Memórias da Sociedade Broteriana, 22, 5-453.