feto-do-cabelinho

Nome pelo qual são conhecidas as Pteridófitas da família Dicksoniaceae, pertencentes à espécie Culcita macrocarpa (sin. Dicksonia culcita), segundo Fernandes e Queirós (1980), Palhinha (1966) e Schäfer (2002). Sjögren (2001) grafa feto-de-cabelinho.

Segundo Fernandes e Queirós (1980), é uma planta robusta até 2 m de altura. Rizoma prostrado ou ascendente, revestido pelas bases muito dilatadas dos pecíolos, dos intervalos entre as quais saem abundantíssimos pêlos arruivados, macios, muito longos, semelhantes aos que revestem também as bases dos pecíolos. Folhas com 30-200 cm de comprimento, formando tufos; pecíolo forte, glabro acima da base; limbo de contorno triangular, 3-5-penatissecto, coriáceo, verde-brilhante na página superior, mais claro na inferior, subigualando o pecíolo; segmentos de última ordem oblongo-lanceolados, partidos ou lobados. Soros elipsóides, marginais, na extremidade das nervuras, bivalves (epivalva resultante da margem dobrada do segmento e hipovalva correspondente a um verdadeiro indúsio), a epivalva cobrindo parcialmente a hipovalva até à deiscência. Esporângios de desenvolvimento basípeto, longamente pediculados. Esporos, amarelados, tetraédricos.

C. macrocarpa difere de Pteridium aquilinum (Hypolepidaceae) [ver feto] por este ter soros lineares, rizoma rastejante, longo, e folhas solitárias (Schäfer, 2002).

Único membro da família das Dicksoniaceae na Europa, a sua principal zona de distribuição é a Macaronésia, sendo bastante frequente tanto na Madeira como nos Açores, para onde foi registado por Seubert (1844). Deve ter-se tornado extinto em Santa Maria e na Graciosa, e provavelmente também no Corvo, onde recentemente não foi encontrado (Sjögren, 2001), onde as áreas de cedro-do-mato são pequenas (Sjögren, 1973), graças à colheita extensiva a que esteve sujeito, devido à macieza dos pêlos do rizoma e da base dos pecíolos, utilizados no enchimento de almofadas e colchões, a que Gaspar Frutuoso, século XVI, se refere no Livro VI de Saudades da Terra (cf. Costa, 1949).

A maior parte das populações deste feto está acima dos 500 m, no entanto é possível serem observados indivíduos dispersos até aos 150 m, em quase todas as ilhas. Cresce em habitats húmidos, fortemente ou fracamente expostos. Em redor das lagoas aparece acima do nível máximo das águas. Mais frequente em solos ricos em húmus, também ocorre em correntes de lava, onde a camada de solo é muito fina. A maior parte das populações estão nas densas florestas naturais de altitude, mas algumas podem também ser encontradas em zonas abertas onde os prados naturais rodeiam os indivíduos arbóreos que restam dessa floresta (Sjögren, 2001). Schäfer (2002) e Pinto-da-Silva & Pinto-da-Silva (1974) indicam-no como ocorrendo na floresta de cedro e louro.

É uma espécie protegida ao abrigo do Decreto-Lei 140/99 de 24 de Abril. Luís M. Arruda

Bibl. Costa, C. (1949), Três antigas plantas úteis, originárias dos Açores. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, 10: 66-68. Fernandes, A. & M. Queirós (1980), Culcita macrocarpa (Culcitaceae), Iconographia Selecta Florae Azoricae, A. Fernandes e R. B. Fernandes (eds.). Coimbra, Secretaria Regional da Cultura da Região Autónoma dos Açores, 1, 1: 71-74. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das plantas vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves. Pinto-da-Silva, A. R. & Q. G. Pinto-da-Silva (1974), Ferns and flowering plants of the Azores. Agronomia Lusitana, 36, 1: 5-94. Schäfer, H. (2002), Flora of the Azores, A field guide. Weikersheim, Margraf Verlag. Seubert, M. (1844), Flora azorica. Bona, Adolphum Marcum. Sjögren, E. (1973), Recent changes in the vascular flora and vegetation of the Azores Islands. Memórias da Sociedade Broteriana, 22, 5-453. Sjögren, E. (2001), Plantas e flores dos Açores. S.l., ed. do autor.