Fernandes, Lázaro

 [Século XVII] Sebastianista. O que sabemos deste alfaiate que viveu na cidade de Angra, tido e havido por louco varrido, foi-nos transmitido por Maldonado. Tinha o apelido de Caranguejo e não escondia as suas tendências sebastianistas, que exaltadamente apregoava. Quando D. Afonso VI foi exilado e desterrado para a Terceira, em 1669, convenceu-se de que o rei era o novo D. Sebastião e nunca mais teve sossego, cometendo os mais absurdos desacatos. Foi proibido pelo governador Nunes Leitão, de entrar no Castelo. Quando, em 1674 se maquinou em Angra a suspeita de uma conjura para repor no trono o rei exilado, Lázaro Fernandes voltou à ribalta acabando preso pelo sindicante vindo de Lisboa para devassar os factos ocorridos em Angra. Foi então o único condenado de entre os presos, a degredo para o Brasil.

O cronista que não revela o nome dos outros prisioneiros angrenses que foram ilibados desculpa-se de revelar este com o seguinte «que faleceu sem sucessão; E cazo que a tivesse, o que aos majores afronta, não faz pejo nos de menos esfera», não deixando, porém, de o exaltar como «hum dos Portuguezes mais finos que naquelle tempo logrou Angra». J. G. Reis Leite

Bibl. Maldonado, M. L. (1997), Fenix Angrence. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, II: 506, 519, 523 e 526.