feijão
Semente do *feijoeiro. Também se atribui este nome ao próprio feijoeiro ou ao seu fruto, a vagem, dentro da qual se formam as sementes comestíveis, os feijões. São designadas por feijões as sementes de várias espécies da família das leguminosas.
a) feijão comum Semente de Phaseolus vulgaris, originário da América Central, e, introduzido na Europa no século XVI. Pouco depois foi introduzido em África, e, hoje é cultivado por todo o Mundo nas regiões temperadas e tropicais. Há provas arqueológicas da existência de feijões grandes no Peru e de feijões mais pequenos no México, em eras muito recuadas. São geralmente plantas anuais ou cultivadas como tal. Há cultivares de pequeno porte e erectas, os feijões rasteiros, e, outras trepadouras cujos caules podem atingir quatro metros, os feijões de trepar, são geralmente armados com canas. Apresentam folhas compostas com três folíolos, ovados ou ovado orbiculares, acuminados; flores dispostas em cachos axilares, mais curtos que as folhas que podem ter até seis flores, de corola papilionácea, branca, rosa ou púrpura, estames diadelfos, estilete pubescente na parte interna, estigma oblíquo; fruto uma vagem deíscente, geralmente com muitas sementes, castanha ou avermelhada, por vezes com manchas brancas, achatada ou sub-cilíndrica, sementes de cores muito variadas, negras, encarnadas, brancas, acastanhadas, por vezes rajadas, e, com mais de 1 cm. Esta espécie não suporta geadas nem temperatura do ar inferior a 10o C, a temperatura óptima de germinação é 30o C, prefere solos leves, férteis e bem drenados, de pH 5,5-6. A falta de humidade, principalmente no período de floração e formação da vagem pode conduzir ao total colapso da cultura. A sementeira faz-se a uma profundidade de 7,5 cm. As variedades anãs são mais precoces do que as trepadouras, mas, estas últimas dão maiores produções.
b) feijão encarnado dos sete anos Phaseolus coccideus muito semelhante ao anterior, mas vivaz, embora seja geralmente cultivado como anual. É mais vigoroso, os cachos de flores são maiores do que as folhas e as flores também são maiores. As flores e as sementes podem apresentar várias cores, embora a encarnada seja a mais comum. É originário da América tropical.
c) feijão frade ou feijão fradinho Vigna unguiculata ssp. cylindrica. Oriundo de África e Índia. Planta erecta ou sub-volúvel, de pequeno porte. Vagem de 10-12 cm. Sementes mais pequenas do que as das espécies anteriormente citadas, esbranquiçadas e com o hilo ornado de negro.
A cultura de todos os feijões é idêntica à indicada para o feijão comum.
Os feijões podem consumir-se em diversos estados de maturação. O feijão verde, ou seja, a vagem tenra, antes de se formarem as sementes, tem-se tornado muito popular. É um vegetal muito saboroso e com aplicação culinária variada. Pode ser consumido em sopas, saladas, como acompanhamento, cozido, ou em guisados. O feijão imaturo ou inchado, é tradicionalmente usado em sopas, com hortaliças diversas. Finalmente o feijão seco foi um alimento básico, e indispensável nestas ilhas ultra-periféricas, devido ao seu elevado poder de conservação, e, grande valor nutritivo. Nos Açores, o feijão era cultivado em consociação com o milho e a abóbora. Com a mecanização estas consociações tornaram-se impossíveis. Com a extensão cada vez maior da pastagem, o feijão foi perdendo espaço. Lamentavelmente desapareceram variedades que tinham sido conservadas e cultivadas durante séculos É praticamente importado. À semelhança do que se vai passando por todo o Mundo, vai aumentando o consumo do feijão enlatado que as donas de casa e a restauração preferem por ser de preparação mais rápida. As feijoadas com carne de porco e enchidos, bem como as sopas de feijão continuam a fazer parte da alimentação destas populações, mas, o paladar, não é o mesmo de outros tempos. Os bolinhos de feijão continuam a ser deliciosos, e muito apreciados, quer pelos açorianos, quer por aqueles que por aqui passam. Raquel Costa e Silva
Bibl. Coutinho, A. X. P. (1913), A Flora de Portugal. Lisboa, Aillaud, Alves & Cia Paris (Livraria Bertrand, Lisboa): 369. The Royal Horticultural Society Dictionary of Gardening (1992).
