Fayalense, O
Jornal de que foram publicadas cinco séries na cidade da Horta. A primeira, com o subtítulo Semanário da Horta, teve início em 1 de Abril de 1857, três meses depois do aparecimento do Incentivo, o primeiro periódico publicado naquela cidade. Foi impressa na tipografia de J. J. Graça Jr., primeiro na Rua do Colégio, 2, depois, sucessivamente, na Rua da Areia, 5, na Rua da Misericórdia, 3 e na Typ. Hortense, na Ladeira de S. João. Formato 31,6 cm x 22 cm, 8 páginas, 2 colunas. A numeração das páginas de um número continuava a do número anterior.
No editorial do primeiro número, Introdução, regista, quase a começar: «Os que nos lerem ver-nos-hão sempre solicitos em promover a felicidade deste Districto, assim como dos dois outros dos Açores» e, a terminar: «[...] não nos reduziremos a discursadores de campanario; os outros Districtos podem contar comnosco para lhes defendermos os seus interesses, como soubermos e podermos. Val de pouco a offerta, quando elles teem já velhos lidadores na Imprensa, e teem visto advogar sempre as suas causas com dedicação e zelo: mas os riachos pagam um feudo aos rios, e os rios aos mares. Receba pois a Imprensa Acôriana o feudo que lhe vae pagar o pobre riacho, que será mais uma pouca dágua para lhe engrossar a torrente».
Durante este tempo teve direcção e impulso de Miguel Street de Arriaga e de José Affonso Botelho de Andrade (cf. Marcelino Lima, O Fayalense, n.o 1, de 2 Abril de 1906).
Em Agosto de 1858 passou a O Fayalense Semanário da Horta, aparecendo Bento Joaquim Cordeiro como responsável. Formato 38 cm x 27,5 cm, 6 páginas, 2 colunas, passando, posteriormente, a 3 colunas. A numeração das páginas de um número continuava a do número anterior. Em 23 de Novembro de 1862 era, novamente, O Fayalense, a tipografia Hortense havia mudado para a Rua de S. Francisco, 22 e o formato para 47,7 cm x 36, 4 páginas, e 4 colunas. Terminou em Maio de 1895.
A segunda, editada por José Ignacio de Christo e administrada por Alberto Silveira Leal, começou em 5 de Novembro de 1899 e terminou no mesmo mês de 1902. Tinha tipografia, redacção e administração na Rua Conselheiro Medeiros, 4. Era uma publicação da Sociedade Luz e Caridade e considerava-se jornal litterario e noticioso, dedicado em especial aos interesses do districto. No editorial, A abrir, esta sociedade justifica «dever ter na imprensa uma voz para expôr, definir, esclarecer, advogar o pensamento que iniciou há mais dum anno com relação a uma larga propaganda pratica, util e eficaz a favor destas ilhas, dos seus interesses mais vitais, tanto de ordem material como de ordem moral, satisfazendo-se assim a justa aspiração que mais ou menos fermenta, sequer latentemente, no animo de todos aquelles que á sua pratica dedicam verdadeiro amor». Inclui colaboração de Marcelino Lima, Osório Goulart, Manuel Joaquim Dias e de outros. Em 28 de Junho de 1901, publicou um número de saudação aos reis D. Carlos e D. Amélia com colaboração dos referidos e ainda de José Machado Serpa, Mello e Simas, Florêncio Terra e Rodrigo Guerra.
A terceira iniciou a 2 de Abril de 1906, continuando a numeração anual (ano 49) mas iniciando numeração editorial. Tinha como redactor-editor António *Baptista, que aparece como proprietário e redactor com o número 282, de 7 de Julho de 1907. Entre Junho de 1906 e Julho de 1907 passou a diário da manhã. Tinha oficinas e administração no Largo D. Carlos, 8. Terminou em Junho de 1908. Formato 43, 8 cm x 29 cm, 4 páginas, 4 colunas.
No editorial, «O Fayalense», Marcelino Lima retoma os objectivos do editorial de há 49 anos: «Trataremos de causas, de princípios, de grandes conveniencias, e de objectos letterátios e scientificos, porque o nosso genio não se compadece com outro meio de escrever. Acreditem esta declaração que é verdadeira e o tempo o mostrará».
A quarta série, com o subtítulo Folha diária, teve início em Fevereiro de 1909 e acabou em Junho de 1910. António Baptista foi director e proprietário, excepto entre 5 de Janeiro de 1910 e 30 de Março do mesmo ano quando foi substituído por António Faria. José de Macedo foi administrador até 8 de Março de 1910. Tinha redacção, administração e oficinas no Largo do Infante, 2. Formato 44,5 cm x 31,9 cm, 4 páginas, 4 colunas. Seguiu a numeração da série anterior.
A quinta série, com o título grafado O Faialense e apresentando-se como Semanário independente, teve início no domingo 9 de Março de 1924, com nova numeração anual e editorial. Teve como editor e administrador Francisco Silveira Garcia, primeiro, e António Maria da Silva, depois. A redacção e a administração funcionaram na Rua Ernesto Rebelo, 1 e era composto e impresso nas oficinas da Emprêsa Tipografica Faialense. Terminou em Setembro de 1926. Formato 44,5 cm x 29,5 cm, 4 páginas, 5 colunas, inicialmente, e 41,5 cm x 29 cm, 4 páginas, 4 colunas, depois.
Desde que iniciou publicação, inclui notícias oficiais, locais, nacionais e do estrangeiro, editais e actas das reuniões da Câmara Municipal da Horta, anúncios do juízo de direito, movimento do porto, registo da alfândega, anúncios, artigos de opinião, de divulgação científica e outros assuntos.
Descrição com base na colecção, incompleta, existente na Biblioteca Pública e Arquivo Regional da Horta. Luís M. Arruda
