faveira

Nome vulgar de Vicia faba (Leguminosae). As favas foram consumidas na pré-história, no antigo Egipto e Roma, mas, hoje não se conhecem plantas selvagens. Admite-se que seja originária do Norte de África e sudoeste da Ásia. É uma planta anual, robusta, erecta e sem gavinhas. Tem caules rígidos, de secção quadrada que podem atingir dois metros; as folhas são paripinuladas, com um a três pares de folíolos ovais a oblongos, obtusos, glaucos; as flores, solitárias ou em cachos curtos, nas axilas das folhas, de corola papilionácea, branca, com asas muito grandes, maculadas de negro ou púrpura; o fruto, uma vagem muito grande (80-200 x 10-20 mm), verde, pubescente que à medida que se desenvolve se torna pouco pubescente e escura; as sementes, raramente uma, duas ou mais, são as favas. Semeiam-se geralmente na segunda quinzena de Novembro de acordo com o ditado popular: as favas no dia de Santa Catarina (25 de Novembro), nem nadas, nem na saquinha. O ditado refere-se ao antigo hábito de conservar as sementes em sacos de pano que se penduravam num lugar fresco e seco. Como é costume dos ditados populares transmite um bom ensinamento para fixar: a melhor época para semear as favas nestas ilhas. Preferem solos pesados, com capacidade de armazenamento de água, mas, boa drenagem e pH entre 5,5 e 7. A sementeira deve efectuar-se a uma profundidade de 7,5 cm. É uma planta muito rústica, mas, dá baixas produções quando sofre falta de água ou temperaturas acima de 27o C. As principais pragas que a afectam são o piolho negro (Aphis fabae) e um fungo que ataca as folhas que passam a mostrar manchas cor de chocolate (Botrytis fabae). A culinária açoriana encontrou múltiplas aplicações para as favas. Consomem-se enquanto tenras, guisadas com toucinho entremeado, tradicionalmente a faceira, e, com ovos escalfados.

Com a fava madura, fazem-se sopas, e, um petisco muito popular a chamada fava com molho de unha. As favas são cozidas, e, comidas uma a uma, seguras entre o polegar e o indicador, e, antes de se levarem à boca molhadas num molho bem picante, com malagueta, salsa, sal, cebola picada, azeite e vinagre, e, não é raro a unha também tocar no molho... A fava seca, demolhada até ficar tenra, descascada e frita, salpicada ainda quente com sal e pimenta, é usada como aperitivo. Congelam bem, e, até se afirma que a congelação lhes melhora o paladar. É bem conhecida a sua acção melhoradora do solo pela fixação do azoto atmosférico. Devido à sua robustez, serve por vezes de abrigo contra os ventos a outras culturas hortícolas mais delicadas. Raquel Costa e Silva

Bibl. Coutinho, A. X. P. (1913), A Flora de Portugal. Lisboa, Aillaud, Alves & Cia – Paris (Livraria Bertrand, Lisboa): 361. Franco, J. A. (1971), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores). Lisboa, Sociedade Astória, I: 338. The New Royal Horticultural Society Dictionary of Gardening (1992). London, The Macmillan Press Limited, 1: 313.