Fava, Duarte José

 [N. Lisboa, 22.3.1805 – m. ?, 16.5.1877] Era filho de um brigadeiro homónimo, estudou nos colégios e nas aulas públicas da capital, matriculando-se na Academia da Marinha, em 1821, e posteriormente na de Fortificação, que frequentou até 1826. Da arma de Artilharia, foi sucessivamente promovido a 2.o tenente em 1827, 1.o tenente em 1828 (pelo governo de D. Miguel) e em 1833 pelo governo de D. Pedro, capitão em 1834, major em 1840, tenente-coronel em 1847, coronel graduado em 1851 e efectivo em 1857, brigadeiro em 1857 e general de divisão em 1865.

Logo que se soube em Lisboa que o *Exército Libertador havia desembarcado no Mindelo e ocupado o Porto tratou de sair da capital para se apresentar a D. Pedro, fazendo a campanha liberal como oficial de artilharia. Com a organização dessa arma, em 1837, foi primeiro colocado no Regimento de Santarém e posteriormente no Estado Maior da Arma.

Numa época de forte politização do exército foi adepto da esquerda liberal e por isso implicado na tentativa de revolta de Torres Vedras contra os Cabrais e deportado para Mafra. Reintegrado, voltou ao Estado Maior da sua Arma em 1846.

Pela ordem do Exército n.º 58, de 17 de Outubro de 1846, foi nomeado comandante do material de artilharia na 10.a Divisão Militar nos Açores. Na Terceira esteve implicado no pronunciamento militar que nesse ano constituiu a Junta Governativa de Angra a favor da Junta do Porto, na guerra da Patuleia. Foi mesmo membro dessa Junta angrense e por isso demitido do seu posto em Junho de 1847, sendo reintegrado pela amnistia do mês seguinte e colocado na 3.a Secção. Em 1852 voltou ao Estado Maior da Arma, depois de comandar o material de artilharia da 7.a Divisão Militar.

Sendo comandante do 1.o regimento de artilharia foi, a seu pedido, devido a questões de disciplina no seu regimento, nomeado, pelo Decreto de 21 de Outubro de 1858, governador do castelo de S. João Baptista, na cidade de Angra do Heroísmo, de que tomou posse a 25 de Janeiro de 1859 onde se manteve até 1862, quando foi nomeado, por Decreto de 14 de Maio, governador da praça de Valença. Na reorganização do Exército de 23 de Junho de 1864 passou ao Regimento de Artilharia 3 e governou a praça de Abrantes (decreto de 15 de Fevereiro de 1865). Por despacho de 26 de Setembro de 1865 foi nomeado comandante da 10.a Divisão Militar, tomando o comando em Angra a 22 de Outubro seguinte e substituindo o general Francisco de Paula *Bastos. Foi exonerado do comando da 10.a Divisão por decreto de 23 de Junho de 1866, outorgando o comando ao barão do Rio Zêzere, general Joaquim Bento Pereira, em Julho.

Acabou a sua carreira como governador da praça de Elvas, de 1865 a 1875.

Era fidalgo cavaleiro da Casa Real, por mercê de 21 de Maio de 1822, comendador da Ordem de Avis (1862) e Grã-Cruz da Ordem de Isabel a Católica (1867). Foi sócio fundador do Montepio Geral (1840) e membro da Maçonaria. J. G. Reis Leite

Fontes: Arquivo Histórico Militar (Lisboa), caixa 3514.

Bibl. Marques, A. H. de O. (1997), História da Maçonaria em Portugal. Lisboa, Ed. Presença: 390.