fava-do-mar
Nome vulgar atribuído à alga castanha Fucus spiralis Linnaeus, comum na zona das marés do litoral rochoso dos Açores. Em algumas ilhas esta alga tem ainda a designação de *bodelha. As algas desta espécie têm estrutura cartilaginosa e cor castanho-esverdeado. Distribuem-se pelo andar mediolitoral, podendo formar largas extensões monoespecíficas em alguns locais. Normalmente, porém, associam-se a outras espécies. Uma situação comum é a associação que estabelecem na faixa superior do mediolitoral com o *cabelão (Gelidium microdon). Em outras situações, e normalmente mais baixo na costa, associam-se a povoamentos algais musciformes. As plantas apresentam ramificação dicótoma. Os ramos estão usualmente dispostos num só plano e em algumas plantas apresentam espiralação. É nítida a característica nervura mediana ao longo do talo. Apicalmente nos ramos ocorrem umas estruturas esféricas ou elípticas (semelhantes a pequenas favas) que contêm uma substância gelatinosa. Essas estruturas designam-se por receptáculos e comportam os órgãos reprodutivos da planta (conceptáculos). Em algumas ilhas do arquipélago, esses receptáculos são consumidos frescos como petisco.
É a única espécie deste género presente no litoral dos Açores, embora registos antigos (Drouët, 1866; Trelease, 1897; Sampaio, 1904) indiquem a presença no arquipélago de outras duas espécies: F. ceranoides Linnaeus e F. vesiculosus Linnaeus. Ana Isabel Neto
Bibl. Drouët, H. (1866), Catalogue de la flore des îles Açores précédé de litinéraire dun voyage dans cet archipel. In Mémoires de la Société Académique de lAube, 30: 81-233. Trelease, W. (1897). Botanical observations on the
