Farol das Ilhas
Quinzenário publicado em Lisboa, com duas versões diferentes para os Açores e para a Madeira. Iniciou a publicação a 28 de Outubro de 1977 e terminou com o número 47, em Dezembro de 1979. Foi dirigido por António Borges *Coutinho, tendo como director-adjunto João Abel de Freitas, que coordenava a versão madeirense. Politicamente, situava-se na área do Partido Comunista Português, embora nele colaborassem vários independentes de esquerda. A publicação em Lisboa deveu-se ao facto de ser difícil realizar o projecto nas ilhas, o que veio a confirmar-se com as ameaças aos vendedores do jornal. Surgiu como «mais um instrumento que se insere na longa luta travada pelo povo açoriano contra os senhores privilegiados e propunha-se defender os princípios políticos e económicos consignados na Constituição», lutando para que fossem aplicados nas duas regiões autónomas. Combateu toda e qualquer ideologia separatista, desenvolvendo uma intensa campanha contra o PPD/PSD e o seu líder Mota Amaral, acusado de se servir da Frente de Libertação dos Açores (FLA) com o objectivo de obrigar a política nacional a inflectir à direita. Denunciou várias arbitrariedades perpetradas nas ilhas, nomeadamente a falta de liberdade, agressões a democratas e as acções para isolar os açorianos das lutas que se desenvolviam no continente. O jornal é uma fonte importante para o estudo do movimento cooperativo insular e do movimento sindical. De igual modo, apresenta vários artigos sobre problemas da agricultura, com destaque para os baldios, arrendamento rural e dificuldades na exportação dos produtos. Destaca-se, ainda, por um conjunto de artigos sobre a resistência ao fascismo. No âmbito cultural, apresenta várias recensões a livros de temática açoriana e entrevistas aos autores. A secção internacional foi menos privilegiada. Carlos Enes
