Faria, D. Gaspar de

 [N. Barcelos, ? – m. Angra, 19.3.1576] 6.º bispo de Angra (1571-1576). Filho de Sebastião de Faria, dos Faria de Barcelos, veio a ser clérigo do hábito de S. Pedro. Doutorou-se em Direito Canónico e foi vigário-geral da Arquidiocese de Lisboa. Veio a ser sagrado e confirmado 6.º bispo de Angra, por bula de Pio V, Gratiae divinae preamium, de 15 de Outubro de 1571, entrando em funções na diocese no ano seguinte, que logo visitou. Celebrou a primeira missa pontifical na Igreja de S. Sebastião, em Ponta Delgada, a 8 de Setembro, vindo a residir, por algum tempo, na freguesia da Agualva, quando ainda era curato de Vila-Nova, numa casa onde ainda ostenta um simulacro de escudo episcopal, embora anterior ao dele. Apesar de serem bem claras as determinações de D. Sebastião, em favor da situação económica do Clero, o pagamento das côngruas ia sendo dificultado por terceiros, pelo que o bispo apelou ao rei, tendo sido atendido por alvará do monarca de 4 de Setembro de 1572, determinando-se, então, que as mesmas fossem liquidadas do seguinte modo: duas partes em trigo e uma em dinheiro, na ilha Terceira; e, nas demais, metade em trigo e metade em dinheiro. Criou a freguesia de S. Pedro da Ribeira Seca, um ano antes de vir a falecer. Ficou encarregado de distribuir verbas e donativos pelo Hospital de Angra, pelo de Ponta Delgada e pelos pobres das ilhas. Na Primavera de 1572, em Visita Pastoral à ilha Terceira, celebrara pontifical na paroquial de Vila-Nova, no dia de Pentecostes, festa do orago da freguesia. Foi em 1573 que visitou a ilha de S. Miguel, tendo celebrado pontifical a 8 de Dezembro, na Matriz de Ponta Delgada, onde nunca havia sido feito, e onde lhe causaram problemas graves, não tendo sido de todo pacífica a sua permanência na citada ilha, dado que lançou um interdito no Convento da Esperança de Ponta Delgada. As freiras enviaram ao reino o franciscano Brás Camelo que conseguiu do cardeal D. Henrique que ele fosse levantado. Teve ainda a oportunidade de, no arrabalde da vila da Ribeira Grande, instituir a freguesia de S. Pedro, regressando a Angra, nesse mesmo ano, onde criou as paróquias de S. Pedro e de S. Bento. Faleceu, repentinamente, na Sé Catedral e aí foi sepultado. João Silva de Sousa

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