Faria

Da ilha Terceira. Já os referimos, a propósito de Furtados de Mendonça, uma vez que os genealogistas dão como mulher de Mundus Furtado de Mendonça uma senhora Lemos de Faria. Não é possível apurar se por «contágio» com a Maria de Lemos de Faria casada com seu sobrinho Fernão Furtado de Mendonça, fidalgo de cota de armas, que em 1519 residia na ilha do Faial. Da descendência deste último casal nas ilhas do Faial e Terceira se ocuparam os genealogistas. Mas, no atinente à ilha Terceira, registaram apenas os filhos dos dois casamentos de Fernão Furtado de Faria, cuja geração se extinguiu. Sucede que o apelido Faria (ou Lemos de Faria) continuou a ser usado por muitas gerações, ao que parece irradiando das freguesias da Sé e Conceição para as freguesias rurais.

Conhecemos uma ligação entre os Lemos de Faria do continente e a ilha Terceira. Pedro de Lemos de Faria, filho de Pedro de Lemos (de Faria) e de Maria de Faria, casou com Catarina Feio, filha de Fernão de Araújo Feio, provedor da fazenda na ilha Terceira, e de sua mulher Brites Fernandes de Badilho, ou Bobadilho (que suponho possa ter sido graciosence). Não dispomos de provas documentais que permitam estabelecer que os Lemos de Faria, do Faial, fossem parentes destes, trata-se apenas de uma pista.

Para tornar a situação ainda mais opaca outro descendente do Fernão Furtado de Mendonça e de Maria de Lemos de Faria, do Faial, André Furtado de Mendonça, é dado como tendo casado com uma Catarina de Lemos de Faria, certamente sua prima, e tendo sido pais de Manuel de Lemos de Faria, marido de Bárbara Gularte Homem, das Lajes, na ilha do Pico. Deste último casal nasceu António de Lemos que casou na freguesia de S. Sebastião, na ilha Terceira com Bárbara Machado, filha de Melchior Machado, o surdo. Este casal teve descendência que continuou a usar o apelido Faria (ou Machado de Faria) durante muitas gerações, pelo menos nas freguesias de S. Sebastião e Ribeirinha, na ilha Terceira.

Ignoro se o Mateus de Lemos, casado com Mécia Gaspar, residentes em S. Mateus, que morreu na Sé, Angra, a 3 de Fevereiro de 1572, tinha algo a ver com esta família, a que pertenciam, decorrida mais de uma geração, António Vaz de Faria, filho de Diogo de Lemos de Faria e de sua mulher Ana Vaz Chama, moradores na freguesia da Conceição, que casou na Sé de Angra, a 9 de Janeiro de 1589 com Leonor Mascarenhas, viúva de Rodrigo Fernandes, castelhano. Este casal teve, pelo menos, uma filha chamada Ana, baptizada, ibid. a 6 de Fevereiro de 1590, sendo madrinha sua tia paterna, Maria de Faria que veio a casar com António Machado, e a baptizar a 27 de Junho de 1606, um filho chamado João.

Este Diogo de Lemos de Faria, que casou também com Inês Fernandes d’Antona, e era já falecido em Junho de 1597, quando casou na Sé o seu filho Martim de Lemos de Faria, é apontado por Maldonado como um dos principais da nobreza de Angra, em 1580. Pertencia seguramente aos Furtados de Mendonça, da ilha do Faial ou da Graciosa, e seria provável irmão de um Cristóvão de Lemos de Faria, da ilha do Faial, que veio casar à Sé de Angra, a 28 de Outubro de 1571, com Filipa Gaspar, filhos, irmãos ou sobrinhos do Fernão Furtado de Faria, acima referido e que os genealogistas trataram, certamente em virtude das alianças contraídas pela sua descendência.

Na mesma freguesia da Sé encontramos, em 1604, Luís de Lemos de Faria associado a António Vaz Chama, ao licenciado António Chama, vigário da Conceição, e a Maria Vaz Chama, o que nos leva a supor que fosse também filho do já referido casal Diogo de Lemos de Faria e Ana Vaz Chama, e provável irmão de Martim de Lemos de Faria, casado com Bebiana da Silva, que baptizaram, na mesma freguesia da Sé, a 4 de Novembro de 1600, uma filha chamada Ana, de que foi padrinho o mesmo Francisco Madruga Vieira, que testemunha baptismos de filhos de António Vaz de Faria, acima.

De realçar que, a 19 de Junho de 1609, em Santa Bárbara das Doze Ribeiras, surge, como madrinha de uma filha de João Gonçalves e de Catarina Jácome, Leonor Mascarenhas, que vimos acima casar na Sé com António Vaz de Faria, filho de Diogo de Lemos de Faria. E muitos outros se poderiam apontar, dispersos pelas freguesias, a atestar a persistência do uso deste apelido na ilha Terceira. Manuel Lamas