Faleiro, Fernão
[N. ?, ? m. Angra?, c. 1599 ?] Cavaleiro fidalgo da Casa Real e sargento-mor das companhias de ordenança da cidade de Angra e da vila de São Sebastião por mercê de Filipe II, tomou posse e jurou a 20 de Maio de 1595, com o vencimento anual de 50.000 réis (Chagas, 1989: 272). Serviu igualmente o ofício de provedor dos órfãos, resíduos, hospitais, capelas, confrarias e albergarias da ilha Terceira. Foi provido neste ofício por regimento de 7 de Dezembro de 1593, mas é conhecido despacho seu de 3 de Junho de 1592 e uma sentença do antecessor datada de 22 de Abril do mesmo ano. É, pois, dentro deste lapso de tempo que se poderá estabelecer o início do exercício das ditas funções. Não obstante, a sua actuação pública na Terceira encontrar-se documentada, segundo Drummond, desde 1586, data em que tomou posse das alcaidarias-mores do castelo de Angra e da ilha de São Jorge, como procurador de Cristóvão de Moura Corte-Real, e que em nome do mesmo capitão terá agido a contra-gosto dos terceirenses. O que faz presumir tal identidade, do provedor com o procurador do capitão, entre outros aspectos, é a carta de Juan de *Horbina ao rei, de 16 de Maço de 1590, propondo Fernão Faleiro, então dito lugar-tenenente de Cristóvão de Moura, no provimento e atribuições do cargo de sargento-mor de Angra, posto que o provedor dos resíduos jurou a 20 de Maio de 1595, acumulando os dois tipos de funções. Em termos de remuneração, auferia 50$000 reais pelo cargo de sargento-mor, 40$000 reais pagos por Angra e 10$000 reais por São Sebastião. Quanto à provedoria dos órfãos e resíduos, o seu sucessor, Vasco Fernandes Rodovalho, recebia, de mantimento, 5$000 reais pagos pelos mamposteiros dos cativos. Fernão Faleiro foi casado com Catarina de Sousa (que, depois de viúva, contraiu matrimónio com Domingos Martins da Fonseca), de quem não teve filhos, afirmando Frei Diogo das Chagas que a ela deveria seus cargos e funções. Apesar de pouco ser conhecido sobre a sua fortuna pessoal, adquiriu um foro de casa térrea, telhada, com quintal, sita à Travessa do Surdo, em Angra, e, no mesmo dia (10 de Dezembro de 1596), escambou-o com a Misericórdia, por outro que dela tazia junto «ao cabo verde», termo da cidade, com condição da dita instituição isentar-lhe este último. Poderá ter falecido antes de 22 de Julho de 1599, ano do carbúnculo na ilha Terceira, já que é desta data o alvará nomeando o seu sucessor no cargo de provedor dos órfãos e resíduos. José Damião Rodrigues e Rute Dias Gregório
Fontes. Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo, Arquivo da Câmara de Angra do Heroísmo, Tombo da Câmara de Angra (1557-1591); Livro do Tombo do Hospital de Santo Espírito, fls. 316 v-328 v.
Bibl. Arquivo dos Açores (1982), Regimento de Fernão Faleiro, provedor dos órfãos e resíduos da ilha Terceira, 7 de Dezembro de 1593. Ponta Delgada, Universidade dos Açores, VIII: 159-160. Chagas, D. (1989), Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores. S.l., Secretaria Regional da Educação e Cultura/Universidade dos Açores. Drummond, F. F. (1981), Anais da Ilha Terceira. S.l., Secretaria Regional da Educação e Cultura, I [Reimpr. fac-simil. da edição de 1850]. Meneses, A. de F. (1987), Os Açores e o Domínio Filipino (1580 - 1590). Apêndice Documental. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira.]
