Falcão
Das ilhas de S. Miguel e Terceira Deste apelido, pouco disseminado nos Açores, conhecemos apenas dois ramos distintos, um na ilha de S. Miguel e outro na ilha Terceira. Não é de excluir que pessoas usando este apelido se tenham radicado no arquipélago em época posterior, mas delas não temos notícia. Foi governador civil do distrito de Ponta Delgada, ilha de S. Miguel, na primeira metade do século XIX o Dr. Eusébio Dias Poças *Falcão, filho de António Dias Poças e de sua mulher D. Catarina Luís Falcão, que suponho de ascendência continental próxima. Este governador civil casou a 27 de Dezembro de 1850, na Matriz de Ponta Delgada, com D. Maria da Luz Fisher Berquó, nascida na freguesia de Nossa Senhora do Rosário da Lagoa a 9 de Outubro de 1830, e falecida em Ponta Delgada a 31 de Outubro de 1895. Esta senhora era filha de João Maria da Câmara Berquó e de sua mulher D. Maria Ana Guilhermina Fisher. Este casal teve cinco filhos. A primogénita, D. Maria Guilhermina Poças Falcão, casou com Manuel Augusto Hintze Ribeiro, filho de Manuel Ribeiro Guimarães e de sua mulher D. Carolina Emília Hintze, mas não tiveram geração. O filho mais velho Luís Fisher Poças *Falcão, bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, foi juiz presidente do Supremo Tribunal de Justiça e governador do Estado da Índia. Casou com D. Clementina Drongood, igualmente sem geração. O filho segundo, Guilherme Fisher Berquó Poças *Falcão, casou em Ponta Delgada, a 20 de Maio de 1896, com D. Maria Guilhermina Brum do Canto, filha de José do *Canto e de sua mulher D. Maria Guilhermina Taveira Brum da Silveira, também sem geração. A filha mais nova, D. Maria das Mercês Berquó Poças Falcão, casou com José Maria Raposo do *Amaral, filho de outro e de sua mulher D. Ângela Gouveia de Medeiros, com geração em Berquós de Aguiar. A secundogénita, D. Maria Teresa Berquó Poças Falcão, nasceu na Matriz de Ponta Delgada a 21 de Abril de 1854, onde casou a 10 de Julho de 1872, com o Dr. Francisco Manuel Raposo Bicudo *Correia, filho de Ildefonso Clímaco Raposo Bicudo Correia e de sua mulher D. Francisca Cândida de Sequeira, com geração actual, entre a qual os viscondes de Giraul.
Existe notícia de um António Coelho Falcão, irmão de Justa Coelho, baptizada na Sé de Angra a 8 de Fevereiro de 1582, e casada com Pedro Gonçalves de Linhares, vereador da antiga vila de S. Sebastião, na ilha Terceira. Eram ambos filhos de João Garcia de Romayo, sargento castelhano de um dos terços que desembarcaram da esquadra do marquês de Santa Cruz, e de sua mulher Bárbara Coelho (e não Leonor Coelho como escreveu frei Diogo das Chagas). Netos de Pedro Afonso, a que uns acrescentam o apelido Homem, sendo apenas seguro que se tratava de um homem bom da vila de S. Sebastião. Estes irmãos eram bisnetos pela varonia materna de Salvador Coelho, fidalgo da casa real e cavaleiro professo da Ordem de Santiago, e de sua mulher Catarina Martins, da vila da Praia, casal que testou a 26 de Fevereiro de 1556. Não sendo provável que o apelido Falcão fosse transmitido pelo castelhano João Garcia de Romayo, nem pela linha dos Coelhos, admitimos, até prova em contrário, que o apelido Falcão proviesse do Pedro Afonso da vila de S. Sebastião. Pelo menos Justa Coelho, mulher de Pedro Gonçalves de Linhares, teve descendência entre a qual um Mateus Vieira Borges, o moço, que a 16 de Junho de 1783, casou no Porto Judeu com sua prima Leonarda Felícia, irmã de António Soares Falcão, ambos filhos de Pedro Soares Falcão e de sua mulher Leonarda Felícia, do Porto Judeu; netos paternos de João Soares (Falcão?) casado a 12 de Novembro de 1703, na mesma freguesia, com sua prima 4.ª Maria Machado, e bisnetos de António Soares e de sua mulher Bárbara Correia Vieira. Manuel Lamas
