Fajardo, Diogo (D.)

 [N. ?, ? - m. ?, ?] Governador do Castelo de São Filipe do Monte Brasil (1627-1639). Sucedeu a D. Iñigo Hurtado de *Corcuera y Mendonça no governo do Castelo, e a D. Pedro *Esteban d’Avila na sua propriedade.

Os relatos que nos chegam do penúltimo governador do Castelo, traçam dele um retrato contraditório: «tão terrível e desumano para com os seus súbditos, quanto benigno e afável para com os moradores da Ilha que tratou com toda a moderação, respeito e cortesia» (padre Maldonado). Se do relacionamento de D. Diogo com a população local nos faltam relatos objectivos, são vários os episódios cuja memória foi conservada, nos quais sobressai o seu autoritarismo, levado a extremos de crueldade. Pequenos delitos ou infracções como dormir fora do Castelo sem licença, furtos leves, venda ou empenhamento de peças de fardamento ou munições, a tudo era aplicada a pena de estropiamento a braço solto e lançamento nas obras do Castelo. E se a crimes mais graves aplicava inexoravelmente a pena de morte, também a aplicou a pequenos delitos. Chegou a trazer nas obras do Castelo mais de uma centena de soldados condenados! O seu rigor manifestou-se, também, na administração da logística do presídio, procedendo ao pagamento dos militares pontualmente e providenciando o fardamento e municiamento dentro dos prazos estipulados. Neste rigor administrativo, incluía-se o zelo com que assegurava a defesa dos seus próprios interesses na arrecadação da parte para si fixada nos lucros da mercancia feita no Castelo pelos soldados casados (cf. Fortaleza de São João Baptista). Tinha expressão severa e «horrível presença, que não houve pessoa que em público o visse sorrir» (Maldonado, 1989-1997), excelente memória, e uma voracidade invulgar.

A D. Diogo Fajardo se deverá, praticamente, a conclusão das obras do Castelo, que terá recebido a cerca de dois terços. O desvelo posto neste objectivo sugere a correlação com o rigor na aplicação da justiça, nomeadamente com a moldura das penas...

O excessivo rigor e arbitrariedade na aplicação dos castigos levaram Madrid a retirar-lhe o governo do presídio, sendo nomeado governador das Filipinas, cargo que a morte o terá, entretanto, impedido de desempenhar. Sucedeu-lhe D. Álvaro de Viveiros. Manuel Faria

Bibl. Chagas, D. (1989), Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores. S.l., Secretaria Regional da Educação e Cultura / Universidade dos Açores. Drummond, F. F. (1981), Anais da Ilha Terceira. 2.ª ed., Angra do Heroísmo, Secretaria Regional de Educação e Cultura. Maldonado, M. L. (1989-1997), Fenix Angrence. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira.