Fajã Grande
1 Toponímia Freguesia do concelho de Lajes das Flores, situada na costa ocidental da ilha das Flores, e limitada pelas freguesias de Ponta Delgada e Santa Cruz das Flores, a norte, e da Lomba, Lajes e Fajãzinha, a sul. M. Eugénia S. de Albergaria Moreira
Geografia O território é muito acidentado, incluindo: a parte oriental do maciço das Caldeiras (Caldeira Branca, Caldeira Seca, Caldeira Funda e Caldeira Estreita), que atinge, na cumeeira, 637 m de altitude, e 560 m no fundo da Caldeira, onde se encontram as lagoas das Caldeiras; uma grande escarpa de cerca de 300 m de altura, que corresponde à cicatriz da grande quebrada que originou o depósito que forma a fajã; e a própria fajã, modelada em três patamares. Aqui correm numerosos cursos de água, como o Grotão e a Ribeira das Casas. A longa costa, que se estende desde a Rocha do Risco à foz da Ribeira Grande, é formada por um alta arriba, fossilizada em grande parte da sua extensão, e orlada por calhaus ou por arribas mais baixas, na frente dos depósitos da fajã, onde se apresenta muito sinuosa, com furnas e arcos, e numerosas pontas e pequenas baías que constituem bons pesqueiros; são de referir as pontas do Baixio e da Coelheira. Em 2001 esta freguesia contava 95 habitantes (43 mulheres e 52 homens; INE, 2001), enquanto em 1991 esse número ascendia a 139 (79 mulheres e 60 homens). De facto, a freguesia perdeu, progressivamente, a sua população, desde 1864, quando tinha 1.343 habitantes, com excepção do período entre 1930 a 1940 (INE, 1960). M. Eugénia S. de Albergaria Moreira
História, Actividades Económicas e Culturais Esta freguesia da ilha das Flores era lugar já habitado em finais do século XVI, afirmando então o cronista Gaspar Frutuoso ser terra que «dá pão e pastel» e possuir também «algumas engradas onde entram caravelas de até cinquenta moios de pão a tomar o pastel que nela se faz». Com uma superfície de 12,55 Km2 e uma população que presentemente se queda pelas 95 almas (censo de 2001), a Fajã Grande chegou, porém, a atingir, no censo de 1864, os 1.343 habitantes. Dela dirá, por essa altura, o próprio governador civil da Horta ser já a segunda povoação de toda a ilha das Flores, em grandeza e importância, e também por possuir um porto demandado por grande número de navios, especialmente baleeiros.
Por decreto de 4 de Abril de 1861, foi por el-rei autorizado que se pudesse proceder à desanexação das povoações da Fajã Grande, Ponta e Quada, ficando estas constituindo uma freguesia independente da Fajãzinha, criada no já longínquo ano de 1676. A erecção da nova paróquia, de invocação a S. José, foi formalizada nesse mesmo ano, por alvará de 20 de Junho do bispo de Angra e das Ilhas dos Açores, e teve como seu primeiro vigário o padre António José de Freitas (1861-1881).
Data, porém, de 24 de Maio de 1757 a bênção da primitiva ermida da Fajã Grande. Quase um século depois, em 1849, o povo e a junta da capela de S. José promoveram, então, a reedificação e ampliação da velha ermida, a qual se transformou na actual igreja, que o ouvidor eclesiástico da vila das Lajes benzeu solenemente a 1 de Agosto de 1850.
No lugar da Ponta foi entretanto construída, em 1898, uma ermida de invocação a Nossa Senhora do Carmo, tendo o bispo dos Açores, por carta de 26 de Dezembro de 1901, erigido em curato aquele lugar, então com 62 fogos e 235 almas. Foi seu primeiro cura-capelão o padre José Leal da Silva Furtado.
Na sede da paróquia, existe também uma capela em louvor de Santo António, datada de 1986, e, no lugar da Ponta, a enorme derrocada que ali ocorreu a 18 de Dezembro de 1987, levando à evacuação total da povoação, soterrou a capela de Nossa Senhora de Fátima, que havia sido inaugurada a 20 de Julho de 1969. Tem ainda quatro casas do Espírito Santo, datando a do lugar da Quada de 1841, a da Ponta de 1862 e as da Fajã Grande de 1861 (a de Baixo) e de 1886 (a de Cima). Por provisão de 13 de Agosto de 1896, o prelado açoriano autorizou mesmo que a casa do Espírito Santo da Ponta fosse convertida em capela pública, com o título de capela de Nossa Senhora do Carmo, para nela se poder celebrar missa e outros actos do culto enquanto não fosse construída uma nova capela ou ermida.
A escola de primeiras letras, para o sexo masculino, foi criada na Fajã Grande por decreto de 18 de Julho de 1855. Dão corpo às principais actividades desportivas e culturais da freguesia o Atlético Clube da Fajã Grande e a Filarmónica União Musical Nossa Senhora da Saúde, que fez a sua primeira apresentação pública a 7 de Setembro de 1951.
A agropecuária e a pesca são, ainda, as principais actividades económicas desta freguesia do concelho de Lajes das Flores, por sinal a mais ocidental de todo o continente europeu, mas é crescente a importância do turismo, muito por força das excelentes condições da zona balnear da Fajã Grande e da transformação, em aldeia de turismo rural, do lugar da Quada, que ficara desabitado na década de 80 do século passado. Francisco Gomes
.2 A sede encontra-se na localidade da Fajã Grande, situada à beira-mar, onde se concentra a população. 3 Povoação da costa sul da ilha de S. Jorge, situada na freguesia e concelho da Calheta, a ocidente da localidade da Calheta, à beira-mar, entre o nível do mar e os 50 m de altitude, com o casario disposto ao longo da estrada. M. Eugénia S. de Albergaria Moreira
Bibl Frutuoso, G. (1963), Saudades da Terra. Livro VI. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada: 338. Instituto Nacional de Estatística (1960), Recenseamento Geral da População no Continente e Ilhas Adjacentes. Lisboa, INE, I, 1. Instituto Nacional de Estatística (2001), Censos 2001. Resultados Preliminares. Região Autónoma dos Açores. Lisboa, INE.
