Fajã de Baixo
Toponímia Pequena freguesia, interior, do concelho de Ponta Delgada, situada na encosta sul da ilha de S. Miguel, limitada pelas freguesias de S. Pedro, a sul, fajã de Cima, a norte, e S. Roque (Rosto do Cão S. Roque), a oriente. M. Eugénia S. de Albergaria Moreira
Geografia Com declive muito fraco, a sua topografia é de uma superfície quase plana (daí o nome de fajã), entre 40 e 80 m de altitude, e sem relevos emergentes, nem cursos de água importantes. Foi, e ainda é, a freguesia que concentra a produção de ananases, em estufa. Tradicional região de quintas ligadas à nobreza agrícola, em especial na Abelheira, tem sido afectada pelo crescimento urbano de Ponta Delgada, com a construção em altura. A população residente, de acordo com os dados de 2001, é de 4.367 habitantes (2.198 mulheres e 2.169 homens), tendo crescido mais de 20%, em relação ao censo de 1991, quando a freguesia registou 3.507 habitantes (1.689 mulheres e 1.818 homens; INE, 2001). A tendência do aumento da população que se verifica desde 1900 (INE, 1960), só foi modificada na década de sessenta do século passado, quando se verificou um decréscimo de quase 5% da população (INE, 1970). M. Eugénia S. de Albergaria Moreira
História, Actividades Económicas e Culturais Freguesia interior , limítrofe da cidade de Ponta Delgada de cujo centro dista cerca de três quilómetros. A sua área é de cerca de 400 metros quadrados incluindo os lugares de Abelheira e Santa Rita.
De terreno pouco acidentado, daí o nome de Fajã, a freguesia foi na primeira metade do século vinte a principal área da cultura do ananás nas tradicionais estufas de vidro, que chegou a ser a sua actividade económica de maior expressão. Com o declínio da exportação do ananás, a queda da rentabilidade desta cultura e as pressões imobiliária e demográfica, dada a sua proximidade de Ponta Delgada, a Fajã de Baixo é actualmente (2004), e principalmente, um subúrbio residencial desta cidade.
Ainda existem vários núcleos de estufas de vidro para a produção de ananás e é na Fajã de Baixo que está sediada a «Profrutos-Cooperativa de Productores de Frutas, Productos Hortículas e Florícolas de São Miguel» a principal entidade que comercializa e exporta o ananás.
A par com esta empresa cooperativa, estão na Fajã de Baixo algumas pequenas actividades comerciais e industriais.
Fajã de Baixo é sede de paróquia com o mesmo nome e a actual igreja, de fachada tripartida e rica cantaria em basalto, ficou construída em 1791, substituindo uma mais pequena que, segundo o cronista Joaquim Cândido Abranches, fora construída em 1532 e reconstruída em 1662, altura em que foi decidido erguer a actual. Foi classificada pelo Governo Regional como imóvel de interesse público. O seu orago é Nossa Senhora dos Anjos, com festa a 15 de Agosto de cada ano.
Tendo sido uma importante área rural, de quintas, a Fajã de Baixo tem algumas edificações dignas de nota como a Ermida de Santa Rita, mandada construir por Bernardo Gomes e sua mulher, Luísa de São Francisco, em 1765; a Ermida de Nossa Senhora da Conceição, edificada em 1668 por Simão da Fonseca e hoje integrada no complexo de estufas de ananases dos Herdeiros do Doutor Augusto Arruda; a Ermida de Nossa Senhora do Loreto, mandada edificar em 1669 pelo capitão Lourenço de Frias Coutinho. Esta será o imóvel mais valioso já que ali existe um retábulo não datado nem assinado que se supõe do século dezasseis e que veio de uma outra ermida, demolida em meados do século dezanove, além de antigas imagens, telas, uma delas de Reinoso do início do século XVII e um formoso lampadário. A Ermida de Nossa Senhora do Loreto é o centro de uma popular e muito concorrida romaria que se realiza na segunda-feira de Páscoa em honra de Nossa Senhora da Boa Nova, designação que quase fez esquecer a oficial, de Nossa Senhora do Loreto.
Peça digna de menção é, também, o nicho de Santo António, na rua do mesmo nome, um painel de azulejos de fabrico regional, com a figura de Santo António pintada ao centro envolta numa cercadura de flores. A sua colocação terminou em 19 de Agosto de 1900, conforme inscrição ali colocada.
Edifícios dignos de nota na freguesia da Fajã de Baixo são a Casa Solarenga do Calço da Furna, construída em 1741, com um amplo portão brasonado e onde nasceram os irmãos António, Duarte (1.o visconde da Praia) e Maria José Borges; o Solar do Loreto, construção com características do século XVII; o Solar de Nossa Senhora do Egipto, muito adulterado nas suas características originais pois ali funciona desde 1928 um hospital psiquiátrico dirigido pela Ordem Hospitaleira de São João de Deus; o Solar do Barão de Fonte Bela, imponente construção do século dezoito com duas torres a ladear uma fachada majestosa e a casa do Barão de Santa Cruz, exemplar característico da «arquitectura da laranja» dado o seu estilo inglês e construído por um dos mais ricos exportadores de laranja da época, actividade muito importante na economia da ilha de São Miguel nos séculos dezoito e dezanove. Depois de pertencer à família do Conde de Jácome Correia, é desde o último quartel do século vinte a residência oficial do almirante Comandante da Zona Marítima dos Açores (Estado-Maior da Armada).
Está instalada desde 1939 na Fajã de Baixo a Estação Rádio Naval dos Açores, da Marinha.
A actividade económica da Fajã de Baixo poderá dividir-se em três fases distintas. Primeiro a vinha (séculos XVI e XVII), depois a laranja (séculos XVIII e XIX) e por fim o ananás (séculos XIX e XX). Estas duas últimas actividades deixaram marcas profundas na arquitectura da freguesia e na sua estrutura física.
A freguesia da Fajã de Baixo registou uma intensa actividade cultural, especialmente na primeira metade do século vinte. Em 1893 foi fundada a Sociedade Recreativa Filarmónica Triunfo que em 1902 mudou o seu nome para Banda Triunfo, que ainda hoje mantém.
O Grupo Teatral da Casa do Povo da Fajã de Baixo desenvolveu intensa actividade em meados do século vinte e em 1975 foi fundado o Grupo Folclórico da Fajã de Baixo. Nesta área do amadorismo teatral saliente-se a actividade do revisteiro e jornalista José Barbosa, que escreveu dezenas de textos para revistas populares e os actores teatrais Nivéria Sampaio, Lina e Jovelino Pimentel, Jaime Tavares Silva, Osvaldo Medeiros, Hermínio Arruda e outros.
Figuras destacadas da vida regional e nacional nasceram na Fajã de Baixo. A poetisa, escritora e política Natália Correia; o Professor Doutor Alexandre Linhares Furtado, médico pioneiro dos transplantes de órgãos em Portugal; o poeta e jornalista Duarte Viveiros; Duarte Borges da Câmara e Medeiros, 1.o visconde da Praia, o seu irmão António; Jaime Gama, destacada figura da política portuguesa, deputado, dirigente do Partido Socialista que já foi Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa em Governos da República; o já citado revisteiro e jornalista José Barbosa, que foi director do semanário A Ilha jornal influente nas décadas de quarenta e cinquenta do século vinte, embora nascido no Brasil veio muito novo para a Fajã de Baixo e ali viveu toda a vida, e João Carlos Macedo, o único autarca português eleito em 1971 pelas listas da oposição para Presidente de Junta de Freguesia, e que depois do Movimento de 25 de Abril de 1974 tem sido sucessivamente reeleito, cargo que ainda (2004) mantém. Gustavo Moura
2 Sede da freguesia do mesmo nome, do concelho de Ponta Delgada, na ilha de S. Miguel, é uma vila extensa, com a área urbana ligada à da freguesia de S. Pedro, ficando situada na parte mais baixa e soalheira da freguesia. M. Eugénia S. de Albergaria Moreira
Bibl. Instituto Nacional de Estatística (1960), Recenseamento Geral da População no Continente e Ilhas Adjacentes. Lisboa, INE, I, 1. Id. (1970), Recenseamento Geral da População. Continente e Ilhas Adjacentes. Lisboa, INE, 1. Id. (2001), Censos 2001. Resultados Preliminares. Região Autónoma dos Açores. Lisboa, INE.
