Faial, duques e marqueses do
Títulos criados na família dos Sousa do Calhariz. Foi único duque do Faial D. Pedro de Sousa Holstein, que à data do decreto da concessão deste título (4 de Abril de 1833) era já marquês de Palmela. No entanto, logo em 13 de Julho desse mesmo ano, o título de duque do Faial foi mudado por D. Pedro, regente na menoridade de D. Maria II, para duque de Palmela com o qual D. Pedro de Sousa e Holstein viria a entrar na história. Esta troca de títulos foi efectuada a pedido de D. Pedro de Sousa Holstein que argumentava ser conhecido nas cortes europeias como Palmela.
Este diplomata, convertido em político com o advento do liberalismo, nascera em Turim a 8 de Maio de 1781, filho de D. Alexandre de Sousa Holstein, senhor da Casa dos Sousa do Calhariz, capitão hereditário da guarda real dos archeiros e conde de Sanfré no Piemonte e de sua mulher D. Isabel Juliana de Sousa Coutinho. Esta senhora ficou conhecida pela alcunha de «o Bichinho de Conta» por ter protagonizado um dos episódios da resistência à política de alianças familiares do marquês de Pombal que a havia feito desposar o seu secundogénito, José Francisco de Carvalho e Daun. D. Isabel Juliana, que segundo relatos da época estaria apaixonada pelo pai do futuro duque de Palmela, resistiu à consumação do matrimónio com tal pertinácia que se tornou necessário proceder à anulação do acto religioso celebrado contra a sua vontade, e veio a casar com D. Alexandre de Sousa Holstein.
São inegáveis os relevantes serviços prestados à causa de D. Maria II pelo efémero duque do Faial que foi um dos obreiros da arquitectura sucessória, apoiada pela Grã-Bretanha e pelas potências liberais, que permitiu elevar ao trono português a linha de D. Pedro, primeiro imperador do Brasil. Participou na tentativa constitucional que abortou no Porto em 1828, e que viria a ficar conhecida pela Belfastada, uma vez que, fracassado o movimento, Palmela, Saldanha e outros notáveis do movimento liberal efectuaram uma retirada estratégica para Inglaterra a bordo do vapor Belfast, enquanto os seus correligionários, vencidos, se viam obrigados a uma penosa retirada para a Galiza sob o comando de Sá da Bandeira. Este episódio, que havia de contribuir para a cisão do movimento liberal, foi compensado pela eficácia com que serviu de medianeiro entre os políticos e financeiros ingleses e D. Pedro, de tal modo que se pode atribuir-lhe o crédito de ter tornado possível o desembarque do conde de Vila Flor na ilha Terceira, desde então convertida em reduto do liberalismo. Consumada a ocupação do Porto após o desembarque na praia do Mindelo da força expedicionária liberal, D. Pedro de Sousa Holstein foi reenviado por D. Pedro, duque de Bragança, para Londres com a missão de conseguir apoio financeiro e logístico para a continuação das operações militares. Nesse período a figura e actuação de Palmela eram objecto de viva contestação por parte de sectores liberais. Todavia, os resultados obtidos, a vinda para Portugal do almirante Napier e a subsequente série de sucessos militares que viriam a culminar com o desembarque das tropas do conde de Vila Flor no Algarve, acabaram por vergar as resistências internas à actuação de Palmela. Figura axial da política portuguesa o duque de Palmela foi um dos chefes do chamado «partido aristocrático» que protagonizou o primeiro conturbado período liberal e conduziu o país à necessidade da Regeneração, movimento que preconizava o regresso aos valores do ideário liberal e o saneamento da vida política portuguesa.
O único duque do Faial casou a 4 de Junho de 1810 com D. Eugénia Teles da Gama, filha segunda dos sétimos marqueses de Nisa, de quem teve D. Domingos António Maria Pedro de Sousa Holstein, que veio a suceder a seu pai como segundo duque de Palmela. Mas, anteriormente, este mesmo D. Domingos havia sido criado marquês do Faial, de juro e herdade, por decreto de 1 de Dezembro de 1834 e carta de 24 de Outubro de 1835. Foi quinto marquês do Faial D. Luís Maria da Assunção de Sousa e Holstein Beck, sexto duque de Palmela, casado com a duquesa D. Maria Teresa Assis Palha, filha de José van Zeller Pereira Palha e de sua mulher D. Isabel Infante da Câmara Assis, casal de que é filho primogénito D. Pedro Domingos de Sousa e Holstein Beck. Manuel Lamas
