faia

Nome pelo qual são conhecidas as plantas da família das Miricáceas pertencentes à espécie Myrica faya, também conhecidas por faia-da-terra (Palhinha, 1966; Schäfer, 2002; Sjögren, 2001). Na ilha do Faial, dando atenção ao seu nome e seguindo a tradição, existiriam muitas faias por ocasião da sua descoberta.

Segundo Schäfer (2002), Sjögren (2001) e Direcção Regional do Ambiente (s.d.), é um grande arbusto ou pequena árvore, dióica, sempre verde, até 10(-16) m de altura; folhas verde-escuro, alternas, simples, persistentes, oblanceoladas, mais ou menos pontiagudas, até 10x3 cm, glabras, com algumas poucas glândulas, de margem inteira a ligeiramente dentada; flores masculinas em amentilhos ramificados, amarelo-esverdeado, com 4 estames cada; flores femininas mais ou menos rosadas, com 2 bractéolas. Fruto com 4-8 mm de diâmetro, verde quando jovem, tornando-se vermelho a preto, em drupa carnuda, moriformes, mais ou menos globosos, irregularmente lobados, geralmente sincárpicos, raramente simples; perene; floração de Março a Abril.

Nativa da Macaronésia, Portugal e Espanha, está registada para os Açores por Seubert & Hochstetter (1843), onde ocorre em todas as ilhas. No passado, dominou as florestas das terras baixas, costeiras, como membro frequente da comunidade de Fetusca petraea, mas subindo até 500 m, ocasionalmente, acima dos 700 m. Na ilha do Pico pode ser encontrada a 1.000 m, tomando aí a forma de pequeno arbusto. Aparece em habitats bastante expostos, em penhascos da costa ou mantos de lava, colonizando desfiladeiros secos, em cascalho grosseiro ou areia das costas (Schäfer, 2002; Sjögren, 2001 e Direcção Regional do Ambiente (s.d.)).

M. faia está presentemente ameaçada pela introduzida Pittosporum undulatum (incenso), cuja folha verde-claro contrasta com o verde-escuro daquela, e que pode ser facilmente observada em costas escarpadas, abandonadas após corte da floresta e invadidas por arbustos. Em mantos de lava, abaixo dos 500 m, a faia foi praticamente expulsa e substituída pelo incenso. As poucas populações de faia, relativamente puras, que ainda subsistem ao longo da costa, necessitam de protecção (Sjögren, 2001).

A madeira compacta, de grão fino e não muito dura, é utilizada, embora parcamente, em trabalhos de torneiro e, como combustível. A casca foi utilizada na indústria de curtumes. Os frutos são comestíveis mas não muito apreciados. A cultura desta espécie, usada no passado como protecção para laranjeiras e vinhedos, declinou desde que outras espécies, nomeadamente o incenso, de crescimento mais rápido, se tornaram usadas com tal finalidade (Sjögren, 1973; 2001; Direcção Regional do Ambiente (s.d.)).

A sul-africana M. serrata, com folhas até 1 cm de largura e margem distintamente dentada, está localmente estabelecida em S. Miguel (Schäfer, 2002). Luís M. Arruda

Bibl. Direcção Regional do Ambiente (s.d.), Fichas de plantas vasculares dos Açores. [Horta]. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das plantas vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves. Schäfer, H. (2002), Flora of the Azores, A field guide. Weikersheim, Margraf Verlag. Seubert, M. e Hochstetter, C. (1843), Uebersicht der Flora der azorischen Inseln. Archiv für Naturgeschichte, 9, 1: 1-24. Sjögren, E. (1973), Recent changes in the vascular flora and vegetation of the Azores Islands. Memórias da Sociedade Broteriana, 22, 5-453. Id. (2001), Plantas e flores dos Açores. S.l., ed. do autor.