exposições (agrícolas, industriais e comerciais)
As exposições surgiram na segunda metade do século XVIII nos países mais industrializados e acabaram por se expandir por todo a Europa. Em Portugal, a iniciativa coube ao marquês de Pombal, com uma pequena exposição dos principais artigos das manufacturas portuguesas, em 1775, em Oeiras, mas só a partir de 1840 foram realizadas exposições da indústria moderna. Foi também na segunda metade do século XIX que foram promovidas as primeiras exposições internacionais, em que cada país exibia o progresso das suas actividades económicas, mas também a afirmação da sua superioridade. Rapidamente, as exposições transformaram-se num espectáculo, numa festa em que o produto exposto passa despercebido face à multiplicidade de atracções.
Com a chegada de António Feliciano de *Castilho a S. Miguel, desenrolou-se uma série de actividades até então inexistentes no arquipélago. Através da Sociedade Promotora da Agricultura Michaelense e da Sociedade dos Amigos das Letras e das Artes foram promovidas várias iniciativas que muito contribuíram para a abertura de horizontes e de uma nova dinâmica cultural. Aos Amigos das Letras e das Artes se deveu a primeira exposição, entre Dezembro de 1848 e Janeiro de 1849, denominada de Industrial, Artística e Agrícola, visitada por 8 mil pessoas. Nela se patenteou ao público objectos vários que iam desde os bordados, gravuras, pinturas e tapeçarias aos produtos agrícolas, máquinas, etc. Seguiram-se outras com menos êxito nos finais de 1849, em 1852 e em 1882, no centenário da morte do Marquês de Pombal. A de 1895, em plena euforia das movimentações autonomistas, voltou a ter algum sucesso, com secção de artes, produtos agrícolas e das indústrias fabris e caseiras. Nesta exposição sobressaíram as indústrias de tabaco, álcool, chá e lacticínios, na altura as mais desenvolvidas na ilha de S. Miguel. O êxito do evento levou Francisco Maria Supico a afirmar que «o povo micaelense pôs na Exposição os seus títulos de nobreza moderna» (Escavações, III: 1295). Estas iniciativas dos micaelenses, acabaram por se reflectir nas outras cidades do arquipélago. De acordo com um decreto de 16 de Dezembro de 1852 e um regulamento de 2 de Março de 1854, realizaram-se por todo o país várias exposições de gado. Nas três capitais dos distritos açorianos as primeiras experiências tiveram fraca participação. E foi precisamente com uma exposição de gado que se iniciaram estas actividades em Angra, em 1862, por iniciativa do governador-civil, com atribuição de prémios. Em Outubro de 1863, teve lugar uma outra exposição promovida pela Sociedade Agrícola de Angra que procurou a participação de todo o arquipélago, mas sem sucesso. Todavia, a imprensa defendeu a ideia de que, no futuro, fossem tentadas iniciativas que rodassem pelas capitais de distrito. Foi uma exposição virada essencialmente para objectos de artesanato e produtos agrícolas, tendo em conta o fraco desenvolvimento industrial da ilha. Na Horta, já se realizavam exposições de gado nos anos 50, mas foi em Maio de 1878, que se inaugurou uma exposição industrial e artística, por iniciativa do governador Júlio de Castilho, com vários exemplares de flora açórica, produtos agrícolas e manufacturas caseiras. Integrava um total de 184 expositores das várias ilhas do distrito e 7 da Terceira. Em Julho de 1880, foi organizada outra exposição promovida pelo Grémio Literário Faialense, embora de menores dimensões, cujo objectivo era também angariar fundos para o próprio Grémio. O século XX, abriu, em Julho de 1901, com uma grande exposição em Ponta Delgada, por ocasião da viagem do rei D. Carlos, que contou com a participação de outras ilhas e do continente. Em Angra, em 1911, teve lugar novo Concurso Comercial, Industrial e Agrícola, com a participação de expositores de outras ilhas (S. Miguel, Faial, Pico e Corvo) e do continente. Em 1924, por iniciativa da Junta Geral, realizou-se uma exposição pecuária-agrícola, com atribuição de prémios aos melhores exemplares das diferentes raças. Em 1933, ocorreu uma pequena exposição nas Furnas, por ocasião da criação da Sociedade Terra Nostra. A partir do Estado Novo, os apoios dos organismos locais foram mais sólidos e generalizaram-se as exposições pecuárias. Os Grémios da Lavoura e a *Comissão Reguladora de Cereais contribuíam com donativos para a atribuição de prémios. As visitas presidenciais de Carmona (1941), Craveiro Lopes (1957) e Américo Tomás (1962) foram momentos altos de exposições em algumas capitais de distrito, evidenciando o avanço do desenvolvimento em cada uma delas.
Com a criação do regime autonómico, por iniciativa da Secretaria Regional do Comércio e Indústria ou da Câmara do Comércio de Ponta Delgada têm sido efectuadas várias exposições. A AÇORES-EXPO 81, em S. Miguel, com o objectivo de promover os produtos e paralelamente possibilitar aos comerciantes e industriais da Região toda uma acção de publicidade directa junto do grande público, foi o ponto de partida para outras mais regulares. Apesar de nem todas as ilhas terem participado, o evento contou com diversos stands e produtos variados da indústria e do comércio. A presença de 18 mil pessoas criou uma onda de entusiasmo de tal modo que a exposição foi repetida a partir dos anos 90. Também em Santa Maria se tem realizado, a partir de 1993, uma exposição das actividades económicas da ilha.
Para além das exposições na região, os Açores também se fizeram representar em outras no continente. Mas as primeiras tentativas redundaram num fracasso, tendo em conta o pouco empenhamento dos organismos oficiais e dos próprios empresários. Estiveram representados na exposição industrial de Lisboa, em 1882 e 1888, e numa exposição de cerâmica no Palácio de Cristal, no Porto, na qual foi premiado Manuel Leite Pereira, com a louça da Lagoa. Mas a maior presença açoriana registou-se na Exposição Insular e Colonial Portuguesa, realizada no Porto, em 1894, por altura do V Centenário do nascimento do Infante D. Henrique. Produtos agrícolas, lacticínios e muitos artefactos em vime e palha, bem como dezenas de fotografias de algumas ilhas deram a conhecer os Açores ao grande público do continente. Os Açores voltaram a estar presentes numa em Lisboa, em 1911, e por iniciativa do jornal O Século foram expostos na capital produtos açorianos, em 1925. A partir da fundação da *Casa dos Açores em Lisboa várias iniciativas foram tomadas em conjunto com outras entidades: participação na grande exposição industrial portuguesa, em Lisboa, em 1933; uma exposição promovida pela Sociedade Terra Nostra, em 1936; outra na Feira Popular, em Palhavã (1947), em Santarém (1948) e uma grande participação na Feira Internacional de Lisboa, em 1965.
A nível internacional, destaque-se a presença açoriana na exposição universal de 1900, em Paris, tendo alguns açorianos recebido medalhas. Foi o caso dos micalenses Diniz da Mota, no grupo de meios de transporte, com uma medalha de prata, e de Manuel Leite Pereira, com uma de bronze, na secção de cerâmica. Por seu turno, Adelaide G. da Rosa, da Horta, recebeu uma menção honrosa, na secção de indústrias diversas de vestuário. Outras participações menos significativas ocorreram na exposição de Sevilha em 1929, limitando-se à apresentação de fotografias, e na de Nova York, em 1939, com alguns produtos. Carlos Enes
Bibl. Angrense (O) (1862), Angra do Heroísmo, 31 de Julho. Ibid. (1863), Angra do Heroísmo, 15 de Outubro. Aurora dos Açores (1865), Ponta Delgada, 1 de Julho. Catálogo da exposição districtal d´artes e indústrias de Ponta Delgada (1895). Ponta Delgada, Typ. Elzeverina. Correio dos Açores (1996), Ponta Delgada, 10 de Maio. Diário dos Açores (1900), Ponta Delgada, 19 de Abril. Faialense (O) (1857), Horta, 15 de Julho. Lima, M. (1943), Anais do Município da Horta. Vila Nova de Famalicão, Oficinas Gráficas Minerva: 608-609. Exposição universal de 1900. Lista definitiva das recompensas obtidas pelos expositores de Portugal (1902). Lisboa, Imprensa Nacional. Ocidente (O) (1911), revista, Lisboa, n.o 1.153, 10 de Janeiro. Portugal, Madeira e Açores (1929), Lisboa, 8 de Maio. Ibid. (1939; Lisboa, 8 de Março. Persuasão (A) (1901), Ponta Delgada, 8 de Maio. Terceira (A) (1863), Angra do Heroísmo, 10 de Outubro. Ibid. (1864), Angra do Heroísmo, 30 de Julho. Supico, F. M. (1995), Escavações. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada, III: 1142-1146, 1282 e seguintes.
