Évora

Da ilha Graciosa – Tratando-se de um apelido com origem na toponímia parece arriscado deduzir que todos aqueles que o usaram nos Açores devam proceder do mesmo tronco. Mas, na ilha Graciosa, durante séculos, é um apelido que surge de quando em vez nos registos paroquiais e cuja origem é possível deduzir.

Os Évora têm varonia em Furtado de Mendonça, pois descendem de Álvaro Dornelas Furtado que, de acordo com os genealogistas, «casou pessimamente cõ hua molher bassa a quem chamavam Maria d’Évora». Não arrisco interpretar se esta designação de “molher bassa” se referia apenas a uma mulher de baixa extracção ou a uma mulata.

Álvaro Dornelas Furtado era filho do primeiro casamento do capitão André Furtado de Mendonça, residente na vila de Santa Cruz da Graciosa, onde foi proprietário do ofício de tabelião do público judicial e notas até 1568, ano em que renunciou num outro filho (Gaspar Furtado de Mendonça), vindo a falecer na mesma vila em 14.3.1587. O tabelião André Furtado de Mendonça casou pela primeira vez com Sodorneza Dornelas que, de acordo com o tenente Francisco de Melo Ribeiro, sucedeu num morgado, ou vínculo, instituído por seus pais Álvaro Dornelas da Câmara e Maria Vaz Sodré, por nomeação de Francisco de Espínola.

O casal Álvaro Dornelas Furtado e sua mulher Maria de Évora teve geração que, embora difícil de seguir, dada a obscuridade em que mergulhou, foi transmitindo o apelido Évora. Manuel Lamas