evermanelídeos

Nome dado aos peixes marinhos da família Evermannellidae. Segundo Johnson (1984), estes peixes, de meia água, são relativamente grandes (120-180 mm); corpo comprimido, cabeça grande; olhos variando desde pequenos, não tubulares e dirigidos lateralmente a grandes, tubulares e dirigidos para cima, sem placas ósseas escleróticas. Boca grande; dentes ou numa ou em duas séries; os dentes premaxilares numerosos, pequenos, retrorsos, numa única série; dentes frontais sobre cada palatino, um enorme lanceolado e barbelado ou em forma de sabre e gancho não barbelado. Arcos branquiais substituídos por dentes branquiais sobre placas ósseas, limitados ao ceratobranquial do segundo arco branquial. Todas as barbatanas apenas com raios moles. Sem linha lateral, substituída, nalgumas espécies, por uma série de estruturas semelhantes a escudos, não ossificadas, membranosas, arranjadas de modo segmentar ao longo da superfície média lateral do corpo. Musculatura da cauda com uma divisão tripartida, visível externamente, a epural e a hipural separadas por uma banda lateral, média, de tecido muscular centrado e arranjado, longitudinalmente, sobre a coluna vertebral.

Para o mar dos Açores estão registadas as espécies: Coccorella atlantica, por Albuquerque (1954-56), como C. atrata, citando Fowler (1936: 1224) que cota Roule e Angel (1930: 60) referindo indivíduos colhidos a sudoeste dos Açores, entre este arquipélago e as ilhas Canárias; e Evermannella balbo, por Schmidt (1918: 30), como Odontostomus balbo, referindo captura a sul dos Açores (30o 30’ N, 28o 37’ W). Ambas são referidas por Johnson (1984) como ocorrendo no arquipélago açoriano (Arruda, 1997).

Os indivíduos da espécie C. atlantica têm, tipicamente, 6 poros na comissura do canal frontal do sistema sensorial cefálico lateral. Barbatana dorsal com 11-13 raios e anal com 26-30 raios. Ocorrem nas áreas centrais de todos os oceanos. Mesopelágicos, parecem distribuir-se, verticalmente, de acordo com o seu tamanho (larvas entre 50 e 125 mm, jovens e adultos entre 100 e 400 m; adultos com mais de 50 mm de comprimento standard, a mais de 500 m de profundidades (Johnson, 1984).

Na espécie E. balbo os filamentos branquiais não se projectando para além da cobertura das brânquias. Barbatana dorsal com 12-13 raios e anal com 33-37 raios. Oceânica, ocorre no Mediterrâneo e no Atlântico e, provavelmente, à volta do globo, a sul, onde há continuidade dos oceanos. Mesopelágicos, parecem distribuir-se, verticalmente, de acordo com o seu tamanho (larvas até 30 mm e jovens pequenos capturados, vulgarmente, acima dos 100 m e, frequentemente, acima dos 50 m; adultos com mais de 50 mm de comprimento standard, capturados a mais de 400 m de profundidades mas, muitas vezes, entre 100 e 300 m (Johnson, 1984). Luís M. Arruda

Bibl. Albuquerque, R. M. (1954-56), Peixes de Portugal e ilhas adjacentes. Chaves para a sua determinação. Portugaliae Acta Biologica, (B), 1-1164. Arruda, L. M. (1997), Checklist of the marine fishes of the Azores. Arquivos do Museu Bocage, Nova Série, 3 (2): 13-164. Fowler, H. W. (1936), The marine fishes of West Africa, based on the collection of the American Museum Congo Expedition 1909-15. Bulletin American Museum natural History, 70, 1: 606; 2: 607-1493. Johnson, R. K. (1984), Evermannellidae, In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, UNESCO: 489-493. Roule, L. e Angel, F. (1930), Larves et alevins de poissons provenant des croisières du Prince Albert Ier de Monaco. Résultats des campagnes scientifiques accomplies sur son yacht par Albert I Prince souverain de Monaco, 86. Schmidt, J. (1918), Argentinidae, Microstomidae, Opisthoproctidae, Mediterranean Odontostomidae. Report on the Danish oceanographical expeditions 1908-1910 to the Mediterranean and adjacent Seas, 2, Biol. (A5): 1-46.