eufrásia
Nome pelo qual são conhecidas as plantas da família das Escrofulariáceas pertencentes à espécie Euphrasia grandiflora, também conhecida por consolo-de-vista (Corsépius, 1997).
Segundo Franco (1984) e Sjögren (2001), é um caméfito lenhoso de caule até 60 cm, erecto ou ascendente, semelhante a um arbusto anão; folhas geralmente enegrecendo com a secagem, na maioria suborbiculares, com até 12 pares de dentes geralmente obtusos a subagudos, geralmente glabras na página superior, ásperas ou pilosas nas nervuras na inferior, sendo as folhas proximais mais pilosas que as distais; cálice com 5-7 mm, glabro, ou só viloso nos seios; corola com 13-16 mm, branca, branca-amarelada ou lilacínea; cápsula com 6-7,5 mm, obcordiforme.
Endemismo açórico, descrito por Hochstetter in Seubert (1844), de que existem apenas algumas populações com alguns indivíduos, em pequenas crateras, confinadas à floresta de louro e cedro, ocorre em habitats protegidos mas não demasiado ensombrados (Sjögren, 2001), em solos delgados, junto das escorreduras de lava, entre 750 e 1.000 m, nas ilhas do grupo central (Franco, 1984).
E. grandiflora e E. azorica, apesar de distintas, foram, frequentemente, tratadas como uma única espécie (Sjögren, 2001). E. azorica é um caméfito lenhoso tal como E. grandiflora mas de caule geralmente menor; folhas não enegrecendo pela secagem, na maioria triangulares, com dentes agudos ou subagudos, estriguloso-ásperas na página superior e híspidas na inferior, as distais geralmente mais pilosas que as proximais; cálice com 8-10 mm; corola com 15-17 mm, branca; cápsula com 10 mm, cuspidada, retorcida na maturação. Ocorre em sítios húmidos com espessa camada humífera, entre 120 e 450 m, nas ilhas do grupo ocidental. Endemismo açórico, descrito por Watson (1844), ocorre em sítios húmidos com camada humífera espessa, entre 120 e 450 m de altitude, nas ilhas do grupo ocidental (Franco, 1984).
Na Europa, do género Euphrasia, estas duas espécies açorianas são as únicas perenes. Mais, neste continente e deste género, E. grandiflora é a única espécie semelhante a um arbusto anão, o que lhe dá interesse botânico relevante. É uma das 10 plantas mais raras dos Açores, fortemente em perigo, necessitando de protecção (Sjögren, 2001). Luís M. Arruda
Bibl. Corsépius, Y. (1997), Algumas plantas medicinais dos Açores, 2.ª ed., s.l., s.e. Franco, A. (1984), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. II: Clethraceae-Compositae. Lisboa, Sociedade Astória. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das plantas vasculares dos Açores, Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves. Seubert, M. (1844), Flora azorica. Bona, Adolphum Marcum. Sjögren, E. (2001), Plantas e flores dos Açores, s.l., ed. do autor. Watson, H. C. (1844), Notes on the Botany of the
