euforbiáceas

Família botânica (Euphorbiaceae). Dicotiledóneas. 321 Géneros e 7.950 espécies de árvores, arbustos, lianas e ervas, algumas suculentas, monóicas ou dióicas. As folhas e os caules de muitas destas plantas segregam látex leitoso e por vezes colorido. Folhas opostas, verticiladas ou dispostas em espiral, geralmente simples mas também compostas ou muito reduzidas, estípulas protegendo o gomo terminal ou ausentes; flores tipicamente unissexuais, regulares frequentemente sem pétalas e por vezes sem sépalas, muito pequenas e com as flores masculinas e femininas reunidas num invólucro comum dando o aspecto de uma única flor ou seja um ciato, que por sua vez podem estar reunidos em pseudo umbelas como nas Eufórbias, outras vezes as flores encontram-se dispostas em inflorescências paniculadas com as flores masculinas na parte superior e as femininas na parte inferior; estames muitos, com filetes sucessivamente ramificados como no Rícino ou apenas 1 estame, como nas Eufórbias, geralmente com 3 carpelos unidos, placentas axilares e 3 lóculos, estigmas bilobados, óvulos 1-2 em cada lóculo, micrópilo coberto por uma carúncula que permanece na semente; fruto um elatério divisível em 3 cocas, cujo mericarpo rebenta na maturidade e espalha as sementes, mais raramente uma drupa, uma baga ou sâmara; as sementes geralmente com uma carúncula envolvendo o micrópilo, embrião rectílineo, embebido num endosperma muito oleoso, muitas vezes com proteínas venenosas. Pertencem a esta família numerosas plantas ornamentais, das quais a Estrela do Natal ou Poinsettia (Euphorbia pulcherrima), é a planta que mantém o primeiro lugar na comercialização de plantas em vaso, nos Estados Unidos. Estão incluídas nesta família várias plantas de interesse económico, como a árvore da borracha do Brasil (Hevea brasiliensis), o Rícino (Ricinus communis), do qual se extrai o óleo de castor, purgativo largamente usado, a Mandioca (Manihot esculenta), principal alimento de grande parte das populações das zonas Tropicais, outras espécies produzem óleos, corantes, sementes purgativas ou substâncias usadas para caçar peixes. Nos Açores, como plantas cultivadas temos a Estrela do Natal (Euphorbia pulcherrima) e o Rícino (Ricinus communis), o Trovisco Macho (Euphorbia stygiana) endemismo açórico existente em todas as ilhas e a *erva-leiteira (Euphorbia azorica) – que se encontra nos rochedos marítimos e descampados, excepto no Corvo e Santa Maria, também endemismo açórico. Além das já citadas, encontramos ainda a Euphorbia nutens infestante nas terras cultivadas e incultos, E. peplis que se desenvolve nas areias do litoral no Faial, Pico, Terceira e São Miguel, E. maculata, ruderal que se encontra nas Flores, Pico e Faial, E. prostrata, ruderal que se encontra no Faial, E. helioscopia que se desenvolve em incultos e infesta terras cultivadas, E. lathyris, ruderal que se encontra nos Grupos Central e Oriental, E. exigua, que se desenvolve em terras cultivadas no Faial, Pico, São Jorge, São Miguel e Santa Maria, E. peplus que se desenvolve em terras cultivadas em todas as Ilhas, excepto Corvo e Santa Maria e por último, temos ainda a citar a Mercurialis annua, erva que se desenvolve em terrenos cultivados. As Euforbiáceas são cosmopolitas, excluindo apenas as regiões Árcticas. Raquel Costa e Silva

Bibl. Franco, J. A (1971), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores). Lisboa, Sociedade Astória, 1: 405-422. The New Royal Horticultural Society Dictionary of Gardening (1992). London, The Macmillan Press Limited, 2:245-267.