estrelinha
Nome vulgar da espécie de ave Regulus regulus (Muscicapidae-Sylviidae) (Bannerman e Bannerman, 1966; Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza, 1990; Martins et al., 2002), igualmente conhecida por pisco (Sampaio, 1904: 123) ou ferfolha (Bannerman e Bannerman, 1966; Martins et al., 2002) que também aparece grafado forfolha (Sampaio, 1904) e ferefolha (Chavigny e Mayaud, 1932). Para estes autores, este último nome é o mais frequentemente usado e deriva de fere + folha.
Os indivíduos desta espécie têm uma coroa dourada, bastante brilhante e contornada a preto. Os olhos são grandes e muito escuro. As asas, pretas, apresentam margens brancas e barra alar, simples ou dupla. A cauda é curta e preta (Martins et al., 2002).
R. regulus é uma espécie parcialmente migradora, nunca voando para fora da Europa. Assim, é algo surpreendente que ela tenha sido capaz de atingir os Açores. Talvez tenha feito pelo menos parte da viagem a bordo de um barco. É a única espécie entre os vertebrados açorianos a ter-se dividido em várias subespécies o que mostra a sua pouca inclinação para travessias do mar (Ulfstrand, 1951). Estão descritas três subespécies: (a) R. r. azoricus, com a superfície ventral verde-amarelo, mais amarelo do que inermis; (b) R. r. sanctae-marie, de coloração geral mais clara, esbranquiçada por baixo, quando comparada com as outras duas raças insulares; e (c) R. r. inermis, com a superfície ventral de cor verde-amarelo, mais clara do que em R. r. azoricus e com áreas esbranquiçadas sobre a garganta, abdómen e flancos, que são raramente, ou nunca, aparentes nos exemplares da raça R. r. azoricus (Bannerman e Bannerman, 1966).
R. r. azoricus ocorre em S. Miguel; R. r. sanctae-marie em Santa Maria; e R. r. inermis na Terceira, em S. Jorge, no Pico, no Faial e nas Flores. Ausente do Corvo e, aparentemente da Graciosa (Ulfstrand, 1951; Bannerman e Bannerman, 1966).
Registada para os Açores por Morelet (1860), como R. cristatus, é referida por Godman (1870) como sendo frequente em altitude, nas florestas de cedro-do-mato (Juniperus brevifolia) e de urze (Erica azorica), também sendo vista, a baixa altitude, em jardins. Hartert e Ogilvie-Grant (1905) referem que, nas ilhas onde a encontrou (Terceira, S. Jorge, Pico, Faial e Flores), ocorre desde o nível do mar até às florestas de faia e de urze, mas ser mais numerosa às altitudes intermédias. Bannerman e Bannerman (1966) considera que esta ave apenas desce abaixo dos 100 m quando compelida por condições meteorológicas adversas.
Chavigny e Mayaud (1932: 343) descreveu ninhos, colocados sobre urze e faia, como sendo em forma de taça, construídos, exteriormente, por musgos, nervuras de folhas, pequenas raízes, lã de carneiro, casulos de aranha, líquenes e outros materiais, e interiormente, atapetados por penas ou por porções de lã.
As posturas, normalmente em número de duas por ano, ocorrem nos meses de Maio a Julho (Chavigny e Mayaud, 1932). Cada postura consta de 4 a 6 ovos, de pequenas dimensões, brancos com manchas castanhas. Os ovos são incubados pela fêmea durante 14 a 17 dias. As crias são alimentadas por ambos os progenitores, estando aptas para efectuar o primeiro voo entre o décimo sexto e o vigésimo primeiro dia de vida (Martins et al., 2002).
Com 8,5 a 9 cm de comprimento é a ave mais pequena da Europa, onde é residente e está distribuída amplamente (Martins et al., 2002). Bastante activa, move-se com rapidez entre a vegetação, de ramo para ramo, à procura de insectos de que se alimentam (Bannerman e Bannerman, 1966). Tem a particularidade de agitar as asas durante a procura de comida (Martins et al., 2002). Luís M. Arruda
Bibl. Bannerman, D. A. e Bannerman, W. M. (1966), Birds of the
