Estreito, João Afonso do
[século XV] Lavrador da Madeira, que recebeu o nome do Estreito por ser proprietário de fazendas no estreito da Calheta. A primeira referência documental conhecida referente a João Afonso data de 18.10.1471, a propósito de uma reunião da câmara do Funchal em que se tratou do comércio dos açúcares. Por meados da década de 1480, estava em Lisboa, com Fernão *Dulmo. A 3.3.1486, este recebeu de D. João II a doação das terras que viesse a descobrir no Oceano Atlântico, comprometendo-se a navegar para ocidente e a achar uma «grande ilha, ou ilhas, ou terra firme per costa», estando nos seus horizontes encontrar a ilha das Sete Cidades. Dado que o empreendimento envolvia grandes custos, Fernão Dulmo recorreu ao apoio de João Afonso do Estreito. Foram fretadas duas caravelas, que deviam zarpar da Terceira em Março de 1487, cabendo a João Afonso o pagamento do frete das embarcações, a sua armação e o respectivo abastecimento, emprestando para a expedição a soma de 6.000 reais brancos. As cartas de 2 de Julho e 3 de Agosto de 1486 confirmam as doações anteriores e a parte dos lucros que tocaria a João Afonso: metade dos direitos da concessão. Desconhece-se se a expedição teve lugar ou não e as referências a João Afonso do Estreito só tornam a surgir em 1494, em livro respeitante à produção açucareira madeirense, no qual foi registado que as terras que tinham pertencido a João Afonso produziam cerca de 1.400 arrobas. Depois dessa data, não são conhecidos outros dados sobre esta personagem. José Damião Rodrigues
Bibl. Arruda, M. M. V. (1977), Colecção de documentos relativos ao descobrimento e povoamento dos Açores. 2ª. ed., Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada. Canto, E. (1983 [1892]), Quem deu o nome ao Labrador? (Breve Estudo). Arquivo dos Açores, Ponta Delgada, Universidade dos Açores, XII: 355-371, 479-480. Costa, M. F. (1979), As navegações atlânticas no século XV. Lisboa, Instituto de Cultura Portuguesa. Rodrigues, M. J. (1994), Estreito, João Afonso do. In Albuquerque, L. (ed.), Dicionário de História dos Descobrimentos Portugueses. Lisboa, Caminho, I: 397-398.
