estorninho
Nome vulgar da espécie de ave Sturnus vulgaris ssp granti (Sturnidae), também conhecido por estornino, no Faial e no Pico (Coelho, 1962), e estorno, em S. Miguel (Costa, 1947: 99). Hartert e Olgivie-Grant (1905) consideram a existência de algumas diferenças anatómicas na forma açoriana relativamente à forma europeia, nomeadamente nos tamanhos (a) da primeira rémige primária, mais curta cerca de 2 mm, (b) do bico, menos largo, muitas vezes mais curto e geralmente mais pequeno, e (c) das patas, que tendem a ser mais pequenas, justificativas da criação de uma subespécie a que chamam granti. Esta interpretação é apoiada por Chavigny e Mayaud (1932) e Bannerman e Bannerman (1966). Todavia, outros autores como Ulfstrand (1951) e Marler e Boatman (1961), não consideram essas diferenças suficientes para que a forma açoriana seja considerada uma subespécie diferente.
Segundo Martins et al. (2002), nesta subespécie a plumagem é negro-metalizada com brilho verde ou púrpura; o dorso é preto e bastante luzidio e as penas das asas exibem margens castanhas. Durante o verão a cabeça, o dorso e a parte inferior do corpo são de preto brilhante. No inverno surgem inúmeras e pequenas manchas brancas por todo o corpo. O bico é amarelo e as patas são vermelhas. A silhueta de voo é caracterizada pelas asas pontiagudas e pela cauda preta, curta e quadrada.
Alimentam-se de invertebrados, de frutos e de sementes.
O período de reprodução acontece de Abril a Junho (Chavigny e Mayaud, 1932). Os ninhos são feitos de folhas secas de gramíneas, de duas ou três penas e de alguns pedaços de plantas (Chavigny e Mayaud, 1932), nas arribas do mar, em paredes de pedra em redor dos campos, no solo sob amontoados de pedras soltas (Godman, 1870; Hartert e Olgivie-Grant, 1905; Bannerman e Bannerman, 1966) e até em construções urbanas. De cada postura (geralmente duas a três por ano) resultam 5-7 ovos de cor azul clara, que são incubados por ambos os progenitores durante cerca de 12 a 15 dias. As crias são alimentadas durante 20 a 22 dias, pelos progenitores, realizando depois o primeiro voo (Martins et al., 2002). Em Agosto a plumagem castanho-acinzentada dos juvenis começa a ser substituída pela primeira plumagem de inverno. Em finais de Setembro quer juvenis quer adultos já adquiriram a plumagem típica de inverno (Murphy e Chapin, 1929).
Godman (1870) regista serem muito abundantes em todas as ilhas dos Açores, mas «quando os vinhedos eram mais cultivados era mais destruído, porque dizia-se alimentava-se de uvas e causava muitos prejuízos nos vinhedos; contudo, ultimamente não tem sido perseguido e tem aumentado muito em número». Mais tarde Hartert e Olgivie-Grant (1905) referem também essa abundância em todas as ilhas especialmente nos campos cultivados mais baixos, mas tornando-se raros acima dos 650 m. Actualmente, o seu estatuto de conservação não se encontra ameaçado. Luís M. Arruda
Bibl. Bannerman, D. A. e Bannerman, W. M. (1966), Birds of the Atlantic Islands, vol. 3: A History of the Birds of Azores. Edimburgo e Londres, Oliver & Boyd. Chavigny, J. e Mayaud, N. (1932), Sur lavifaune des Açores. Généralités et Etude contributive. Alauda (2), 3: 304-348. Coelho, M. A. (1962), Vocabulário regional das Ilhas do Faial e Pico. Boletim do Núcleo Cultural da Horta, 3, 1: 112. Costa, C. da (1947), Terminologia agrícola micaelenses. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, 5: 93-104. Godman, F. C. (1870), Natural History of the Azores or Western Islands. Londres, John van Voorst. Hartert, E. e Ogilvie-Grant, W. R. (1905), On the Birds of the
