estilos eruptivos
A lava pode ser emitida de modo efusivo, derramada como um líquido, ou explosivamente, projectada em fragmentos líquidos, acompanhados ou não por partículas de rocha preexistente. As erupções podem ser predominantemente efusivas, exclusivamente explosivas, ou simultaneamente explosivas e efusivas, o que é mais comum.
A explosividade de uma erupção, para além de outros factores, está relacionada com a composição química da lava. Quanto maior o conteúdo em sílica maior a quantidade de fluidos e a viscosidade da lava. O grau de polimerização aumenta com o teor em sílica na lava, tornando-a mais viscosa; assim, nas lavas básicas (por exemplo: basaltos), mais fluidas, os gases exsolvidos escapam-se com relativa facilidade do líquido magmático, enquanto que nas lavas ácidas, a sua elevada viscosidade, torna difícil o escape dos gases. A expansão das vesículas de gás provoca a fragmentação da lava em níveis superficiais da conduta e a sua expulsão de um modo explosivo, impulsionada pela pressão dos gases.
Deste modo, a composição química da lava condiciona o grau de explosividade da erupção, que é normalmente baixo em lavas básicas e aumenta com o incremento do conteúdo em sílica do líquido magmático.
Outro factor que contribui para o aumento da explosividade da erupção é a presença de água em contacto com a lava; a água pode corresponder a níveis freáticos, subterrâneos, ou a corpos de água livres como lagos, rios, glaciares ou o mar. As erupções em que ocorre interacção explosiva entre água e lava tomam a designação de hidromagmáticas ou freatomagmáticas. Nalguns casos, uma erupção pode ser desencadeada apenas pelo contacto entre água subterrânea e corpos de rocha aquecidos por intrusões que não atingem a superfície. Nesse caso, pode ocorrer uma erupção explosiva, resultante da vaporização da água subterrânea que fragmenta as rochas encaixantes e suprajacentes, que é designada como freática, uma vez que os materiais fragmentados expelidos são exclusivamente constituídos por rocha preexistente (fragmentos líticos), não sendo emitido quaisquer produtos lávicos juvenis.
A lava extruída de um modo efusivo, sob a forma de um líquido que escorre sobre a superfície topográfica, origina derrames ou escoadas lávicas; a lava fragmentada e os fragmentos líticos, extruídos de um modo explosivo, originam depósitos de piroclastos.
O estilo das erupções é normalmente designado de acordo com o nome do vulcão onde ocorreram erupções clássicas. Assim existem erupções descritas como apresentando estilo havaiano (característico dos vulcões Mauna Loa e Kilauea, no Havai), estromboliano (do Stromboli, em Itália), surtseiano (do Surtsey, na Islândia), vulcaniano (do Vulcano, em Itália), peleano (da montanha Pelée, na Martinica), ou pliniano (nome derivado de Plinio o Novo, que descreveu a erupção do Vesúvio que destruiu Pompeia e Herculano em 79 d.C.).
É importante realçar que ocorrem frequentemente variações no estilo eruptivo no decurso de uma erupção; a erupção pode iniciar-se, caso da erupção do Fogo, Cabo Verde, em 1995, com actividade tipicamente havaiana, passar a um estilo estromboliano e terminar com características vulcanianas. Outro exemplo é o da erupção dos Capelinhos, na ilha do Faial, de 1957-1958, que começou com manifestações surtseianas tendo passado a um estilo havaiano-estromboliano ao fim de cerca de quatro meses de erupção.
Os estilos eruptivos não devem ser utilizados para caracterizar uma erupção no seu conjunto, mas sim para descrever episódios ou fases do fenómeno vulcânico, visto que na maioria das erupções ocorrem modificações do estilo eruptivo. José Madeira
