Estevam, D. Frei E. de Jesus Maria

[N. Mafra, 26.12.1786 – m. Angra do Heroísmo, 28.7.1870] 28º bispo da Diocese de Angra. Entrou como noviço no convento de Mafra, em 1801, para no ano seguinte professar na ordem dos Menores Reformados da Província da Arrábida, sendo nomeado lente da cadeira de Teologia. Em 24 de Junho de 1825, foi eleito bispo de Meliapor e confirmado por Bula de 6 de Janeiro de 1827 na diocese de Angra e ilhas dos Açores, onde tomou posse por procuração, por motivos de doença, a que se seguiram razões de ordem política. Um período conturbado da vida política nacional, em que quase todas as dioceses portuguesas estiveram separadas da Autoridade Apostólica da Sé de Roma, sendo dirigidas pelos chamados governadores intrusos, dotados de autoridade temporal por nomeação régia e autoridade espiritual pelos cabidos. Devido às lutas liberais que se desenrolaram então na ilha Terceira, permaneceu no continente até 1840. A 22 de Junho de 1828, os terceirenses haviam implantado na ilha o regime constitucional, e o bispo, apesar de ausente em Lisboa, enviou uma pastoral para Angra, reprovando a revolta contra D. Miguel e apoiando uma expedição que o mesmo estava preparando para dominar os rebeldes. Entretanto, as lutas políticas internas conduziram ao afastamento do governador do bispado que o representava e o próprio Frei Estevam esteve preso, em Lisboa, durante 7 meses, entre 1933-1934. Várias solicitações das Juntas de Angra e da Horta chegaram a Lisboa pedindo para fosse nomeado outro bispo. Os ânimos serenaram quando, em 1838, o bispo jurou a nova constituição, sendo de seguida obtida autorização para que a sua côngrua fosse paga com os dízimos de Ponta Delgada. Partiu, então, para esta cidade, onde viveu até 1859. Nesta data, o parlamento autorizou que a côngrua fosse paga por Angra e, por esse motivo, se transferiu para a sede da diocese. Em Angra, embora tivessem acalmado os ânimos, não deixou de ser atacado por elementos mais radicais, ligados à maçonaria. Nesta cidade, acabou por fundar o Seminário Diocesano, em 1862. Foi comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, por ter sido professor e confessor da infanta Isabel Maria, filha de D. João VI, e pertenceu ao Conselho de Sua Majestade. Carlos Enes

Bibl. Pereira, Cónego J. A. (1945), “D. Frei Estêvam, o Bispo de Angra, no período das lutas liberais”. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, 3: 168-258. Supico, F. M. (1995), Escavações. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada, II: 561-62. A Terceira, Angra do Heroísmo, 06.08.1870.